Boa noite. Ligo de Cairns agora, mas em janeiro de 66 eu tinha uma fazenda de banana lá perto de Tully. Vinte e oito anos, trabalhando duro pra fazer minha propriedade funcionar. Aconteceu no dia dezenove. Uma quarta-feira de manhã, por volta das nove. Eu tava dirigindo meu trator pela propriedade do meu vizinho, um cara chamado Albert que tinha a fazenda de cana ao lado da minha. A trilha serpenteava até um ponto que a gente chamava de Horseshoe Lagoon — em forma de ferradura, sabe. A água tinha uns dois metros de profundidade ali, talvez uns trinta metros de largura, coberta de junco denso. Junco de um centímetro de espessura, desses, saindo uns sessenta centímetros acima da água. O tempo tava perfeito. Céu azul limpo, sol brilhando, nenhuma nuvem em lugar nenhum. Já fazia calor, mesmo às nove da manhã. É assim que é janeiro no extremo norte de Queensland.
Tava dirigindo, talvez a uns vinte e cinco metros da lagoa, quando ouvi aquele chiado. Alto. Muito alto, mesmo por cima do barulho do trator. Meu primeiro pensamento foi: maldição, furei um pneu. Você conhece aquele som, ar saindo de pneu? Igualzinho. Me inclinei pro assento, escutando, tentando descobrir qual pneu era. Chequei todos. Tavam bons. Todos em ordem. Mas o chiado continuava, aumentando se alguma coisa. Olhei em volta tentando descobrir de onde vinha aquele barulho, e foi aí que vi. Subiu do pântano, bem na minha frente. Já tava a uns dez metros de altura quando eu olhei pela primeira vez, na altura dos topos das árvores.
Era enorme. Umas sete, oito metros de diâmetro, eu diria, talvez uns três metros de espessura no centro. Formato de dois pratos colados face a face. Cor cinza-prateada, meio opaca, sem brilho. Sem nenhum reflexo. Girando rápido, muito rápido, enquanto subia mais uns dez metros. Aí inclinou. Só um pouco pra um lado. E disparou. Quer dizer, disparou. Subiu em uns quarenta e cinco graus, rumo ao sudoeste, e a velocidade, a velocidade era inacreditável. Mais rápido do que qualquer avião que já vi, e já vi muitos. Sumiu em segundos. Quatro segundos, talvez. Era tudo que durou. Quatro segundos desde quando vi pela primeira vez até desaparecer. Não vi janelas. Sem antenas. Sem marcações. Nada que sugerisse que havia alguém dentro ou em cima. Só aquele objeto liso e cinza, girando e subindo e depois sumindo.
[ A história continua no jogo completo... ]