Esperei trinta e cinco anos pra contar essa história pra alguém que pudesse realmente acreditar em mim. E juro pra você, cada palavra é verdade. Eu tinha doze anos em 1989. Só um garoto jogando futebol com meus amigos num parque em Voronezh. Você provavelmente ouviu as notícias na época, as do TASS. O mundo inteiro riu da gente. Nos chamou de mentirosos. Disse que éramos só crianças com imaginação fértil demais. Mas eu sei o que vi. Meus amigos sabem o que viram. E ainda tenho pesadelos com isso. Deixa eu te levar de volta àquela tarde. 27 de setembro de 1989. Estava quente para o final de setembro, talvez umas seis e meia da tarde. O sol começava a baixar. Eu e meus amigos, éramos uns cinco ou seis, estávamos chutando uma bola no que chamávamos de Parque Sul. Era uma tarde comum. Pessoas esperando no ponto de ônibus por perto. Adultos voltando do trabalho. Nada de especial. Nada que prepararia qualquer um de nós para o que estava prestes a acontecer. Meu amigo Dima foi o primeiro a notar. Ele parou no meio de um chute e simplesmente apontou pro céu. Pensei que era brincadeira a princípio, tentando me distrair pra roubar a bola. Mas aí olhei pra cima. E vi esse, esse brilho rosa. Como nada que eu jamais tinha visto. Não era avião. Não era helicóptero. Era só esse brilho suave e rosado no céu, e enquanto a gente olhava, começou a mudar. O rosa foi ficando mais escuro. Mais fundo. Até se tornar uma esfera vermelha escura.
A esfera era enorme. Não estou exagerando quando digo que tinha uns dez metros de diâmetro. Talvez nove metros. Mas enorme. E ficou ali parada no céu acima do nosso parque, circulando devagar. Por agora, todo mundo tinha parado o que estava fazendo. As pessoas no ponto de ônibus. Outras crianças. Devem ter sido trinta ou quarenta de nós olhando pra aquela coisa. Ela pairou uns doze metros acima do chão, perto o suficiente pra eu ver a grama embaixo se mexendo, como se houvesse vento empurrando de cima. E então, assim, desapareceu. Um segundo estava lá, no outro tinha sumido. Todos ficamos paralisados. Ninguém disse nada. Lembro que meu coração tava batendo tão forte que eu conseguia ouvi-lo nos ouvidos. Alguns adultos começaram a ir embora, como se quisessem fingir que não tinham visto nada. Mas nós, as crianças, ficamos. Não conseguíamos nos mover. E então, talvez um minuto depois, talvez dois, ela voltou. A esfera vermelha desceu. Devagar. Deliberadamente. Como se estivesse escolhendo exatamente onde pousar. E pousou bem ali no parque, uns cinquenta metros de onde a gente estava. Queria correr. Cada parte do meu corpo gritava pra correr. Mas minhas pernas não funcionavam. Só fiquei parado, olhando pra aquela coisa. A esfera não estava mais perfeitamente redonda. Parecia achatada, como um disco. Alguns dos garotos disseram mais tarde que parecia em forma de banana. E então uma escotilha se abriu na parte inferior.
O que saiu daquela escotilha, nunca vou conseguir descrever direito. Era humanoide. Tinha braços e pernas e andava em dois pés. Mas não era humano. Era enorme, talvez três metros de altura. A cabeça era minúscula em relação ao corpo, como uma cúpula pequena sentada nos ombros sem pescoço. E os olhos. Deus, os olhos. Tinha três. Dois nas laterais, esbranquiçados, e um no meio que era vermelho brilhante. O vermelho, ele se movia como um radar. Varrendo. Olhando pra tudo. A criatura usava algo como um macacão prateado. Macacão, sabe? E botas de cor bronze. Botas pesadas. Andava com esse passo lento e pesado, como se a gravidade fosse diferente pra ela. No peito, havia algum tipo de disco ou escudo. E na nave, no casco, havia um símbolo que parecia a letra X. Ou talvez a letra russa Zhe. Não sei o que significava. Havia mais delas. Pelo menos duas, talvez três que saíram. E algo mais. Algo que parecia um robô. Baixo, quadrado, se movendo ao lado das criaturas altas. Elas andavam em torno da nave. Só andando. Olhando pras coisas. Uma das altas tocou o robô e ele começou a se mover sozinho. Então fizeram esse triângulo aparecer no ar. Não sei como. Estava só lá, brilhando, reluzente, pairando. Como um holograma ou algo assim.
[ A história continua no jogo completo... ]