Isso aconteceu em maio de 1996. Eu trabalhava na equipe de manutenção de estradas do condado na época, fazendo conserto de asfalto. A gente trabalhava de noite, sabe, depois que o trânsito da hora do rush diminuía. Menos tráfego pra lidar. Facilitava o serviço. Essa noite em particular eu fui designado pra Rota 9, umas cinco quilômetros fora de Millfield. Serviço solo. Só eu, o caminhão e um monte de buracos pra tampar. Meu parceiro tinha ligado doente naquela manhã. Não me importei de trabalhar sozinho. Já fazia uns oito anos que eu fazia esse tipo de trabalho, então a rotina tava na veia. Era uma terça, acho. Ou quarta. Uma daquelas noites de meio de semana onde tudo fica quieto. O tempo tava bom. Nem muito quente, nem muito frio. Condições perfeitas pro asfalto firmar direitinho.
Comecei lá pelas 19h30, talvez 19h45. O sol tava baixando, mas ainda tinha bastante luz. Tinha o caminhão de trabalho estacionado no acostamento com as luzes de emergência piscando, cones colocados. Protocolo padrão de segurança. O trecho onde eu tava trabalhando era bem reto, talvez um quilômetro e meio de estrada com boa visibilidade nos dois sentidos. Eu sempre carregava minha Nikon no caminhão pra documentar as condições da estrada, sabe, fotos de antes e depois pro condado. Tava uns vinte minutos dentro do serviço quando percebi pela primeira vez. Tinha acabado de tampar um buraco, tava voltando pro caminhão pegar mais mistura de asfalto, quando vi aquela luz. Lá longe a leste, vindo de cima das copas das árvores. A princípio achei que era um avião. A gente tem bastante tráfego aéreo nessa área, aviões pequenos em sua maioria, indo pro aeroporto regional. Mas aí percebi que não tava se movendo como avião nenhum. Tava só pairando lá, talvez a trezentos metros de altura. Uma esfera brilhante, tipo um orbe. Perfeitamente redonda. A cor era difícil de descrever. Meio laranja-branco, mas não era como um poste de rua ou qualquer coisa artificial que eu tivesse visto antes. Tinha uma qualidade naquilo, sabe? Como se estivesse gerando sua própria luz, não refletindo ela.
Fiquei parado olhando pra ele por uns trinta segundos, tentando entender o que eu tava vendo. Foi aí que ele começou a se mover. Não rápido a princípio. Só derivando, bem suave, se aproximando na minha direção. Sem barulho algum. Foi isso que me chamou atenção de imediato. Um avião, um helicóptero, qualquer coisa convencional, você ouve os motores. Aquela coisa era completamente silenciosa. Continuou chegando mais perto, e dava pra ver que era maior do que eu tinha pensado. Talvez do tamanho de um carro pequeno, pelo jeito que parecia em comparação às árvores. Ainda perfeitamente esférico. A luz que ele emitia não era forte, não era ofuscante. Era constante, uniforme. Como se alguém tivesse colocado um dimmer bem no meio e deixado assim. Devo mencionar que passaram alguns carros enquanto isso tava acontecendo. Lembro que um deles diminuiu um pouco, provavelmente querendo saber o que eu tava olhando. Mas não pararam. Seguiram em frente. Não sei se eles viram ou não.
[ A história continua no jogo completo... ]