A Abdução de Medicine Bow

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Trabalhei em plataformas de petróleo por quinze anos. Antes disso, servi na Força Aérea, na Coreia. Sei distinguir o que é real do que não é. O que me aconteceu em outubro de '74, aquilo foi real. Eu tinha quarenta e um anos na época, era encarregado de uma plataforma em Rawlins. Minha equipe me chamava de Coiote do Wyoming porque, quando eu enfiava o dente em alguma coisa, não largava. Teimoso, digamos assim. Mas naquele dia, 25 de outubro, faltei ao serviço pra ir caçar alce. Peguei emprestada a caminhonete da empresa e fui uns sessenta quilômetros ao sul, até o Canyon McCarty, na Medicine Bow National Forest. Lembro que a estrada ficou bem difícil, então deixei o carro e fui a pé. Era umas quatro da tarde. O tempo estava bom, tinha um pouco de neve no chão do começo da semana. Eu tinha acabado de pegar minha nova carabina 7 mm magnum no mês anterior. O troço era capaz de mandar uma bala atravessando um poste de ponta a ponta, isso é a mais pura verdade.

Cheguei ao topo de uma crista e lá estavam eles. Cinco alces, pastando tranquilos numa clareira abaixo de mim. Animais lindos. Localizei o macho no grupo, levantei o rifle, coloquei ele na mira. Foi aí que tudo começou a dar errado. Puxei o gatilho. Ora, aquela carabina chuta igual a uma mula, você sente no ombro toda vez. Mas não senti nada. Nenhum recuo. Nenhum estalo. E fui assistindo a bala sair do cano em câmera lenta. movendo em câmera lenta desafiando a física - Marcus' Câmera lenta de verdade, como se o próprio tempo tivesse mudado. A bala foi saindo devagar, uns quinze, vinte metros, e então caiu direto na neve. Fiquei parado tentando entender o que tinha visto. Não consegui. Então fui até onde ela caiu, encontrei na neve e enfiei no bolso da minha cantil. A coisa estava toda amassada, revirada do avesso. Juro que nunca vi nada fazer isso com uma bala.

Foi aí que ouvi. Um som como um [ estalo. Olhei pra direita e lá na sombra das árvores havia uma figura parada. Só que não era um homem, não de verdade. Era alto, uns um metro e noventa, mais ou menos do meu peso. Vestindo uma espécie de macacão preto, tipo roupa de mergulho, bem justo. Sapatos pretos. Tinha um cinto com uma estrela de seis pontas no meio e um emblema amarelo abaixo. Mas o corpo dele, isso foi o que me pegou. Pernas tortas, braços longos demais. A cabeça inclinada, sem queixo pra falar. O cabelo espetado como palha, fino, e sem sobrancelhas. Quando abriu a boca pra falar, vi que só tinha seis dentes. Três em cima, três embaixo. Me perguntou se eu estava com fome. Assim mesmo, em inglês. Falei que sim, acho que estava. Ele me jogou um pacotinho, parecia um daqueles frascos de Dristan, sabe, o transparente. Quatro pílulas dentro. Disse que eram pílulas de quatro dias, que se eu tomasse uma não precisaria comer por quatro dias. Eu nem gosto de tomar aspirina normalmente. Não sei por que fiz aquilo, mas engoli uma daquelas pílulas ali mesmo na hora.

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