Agradeço por atender minha ligação. Já ouço seu programa há uns seis meses, e fico escutando as pessoas ligarem sobre avistamentos de OVNIs, encontros próximos, tudo isso. Fico aqui pensando: se elas soubessem. Se elas soubessem o que eu sei. Meu nome é Dennis. Tenho 51 anos. Moro em Reno agora, mas não é daí que sou. Cresci em Ohio. Numa cidadezinha perto de Cleveland. Depois do colégio, entrei na Força Aérea. Foi em 1972. Sempre fui bom com as mãos, desde pequeno. Meu pai era mecânico, e cresci ajudando ele na oficina. Então naturalmente a Força Aérea me colocou na manutenção de aeronaves. Trabalhei principalmente nos C-130s. Aviões de transporte. Fiz quatro anos, saí em 76, e achei que ia trabalhar pra uma companhia aérea ou algo assim. Mas as coisas não foram por esse caminho. Uns seis meses depois que saí, recebi um telefonema. O cara disse que se chamava Sr. Richardson. Disse que era de uma empresa aeroespacial privada. Disse que tinham analisado meu prontuário e queriam conversar sobre uma vaga. Bom, eu não era ingênuo. Sabia que aquela ligação não foi por acaso. Alguém tinha marcado meu arquivo. Alguém estava me observando. Mas eu precisava de trabalho, e o salário que ele falou, bem... era três vezes o que eu ganharia em qualquer outro lugar. Então eu disse sim. Disse que me encontraria com ele.
A entrevista foi num hotel em Columbus. Não exatamente no hotel, numa sala de reunião que eles tinham alugado. Só o Sr. Richardson e mais um homem que nunca disse o nome. Ficaram me fazendo perguntas técnicas por umas duas horas. Coisas detalhadas sobre hidráulica, sistemas elétricos, reparos estruturais. Me mostraram diagramas de componentes que eu não reconhecia e perguntaram como eu abordaria o conserto deles. Cenários teóricos, chamavam assim. No final, o Sr. Richardson disse que queriam me oferecer uma vaga, mas havia condições. Eu teria que assinar um acordo de confidencialidade. Teria que passar por um processo de verificação de segurança. Teria que me mudar, e não podia contar a ninguém onde ia, nem amigos, nem família. Eles forneceriam uma história de cobertura. Na visão de todo mundo, eu estaria trabalhando como contratado em várias instalações militares. Coisas de rotina. Perguntei qual era o trabalho de verdade. O Sr. Richardson sorriu. Lembro daquele sorriso, como se estivesse esperando eu perguntar, e disse: 'Manutenção de veículos que oficialmente não existem.' Deveria ter ido embora. Sei disso agora. Mas eu tinha 24 anos, e aquilo soava como a coisa mais empolgante que eu já tinha ouvido. Então assinei os papéis. Três semanas depois, estava num avião para Nevada.
A instalação era subterrânea. Quero dizer completamente subterrânea. Voamos para uma pista de pouso pequena, não sei dizer onde, nos colocaram num avião sem janelas, e depois dirigimos uns quarenta minutos. Passamos por três postos de controle separados, cada um mais sério que o anterior. Por fim, entramos no que parecia um galpão de manutenção, mas quando você estava lá dentro, havia um elevador. E aquele elevador descia. Muito. Uns quinze, vinte andares, pra baixo. Quando as portas abriram, eu estava num complexo enorme. Corredores, laboratórios, oficinas, alojamentos. Tudo branco, estéril, com aquela luz fluorescente fria. Devia ter umas sessenta pessoas trabalhando lá a qualquer momento, mas a gente não interagia muito. Todo mundo cuidava da sua vida. Você aprendia rápido a não fazer perguntas sobre o que os outros estavam fazendo. No meu primeiro dia, me levaram até minha oficina. Era enorme, do tamanho de um hangar, mas debaixo da terra. E no centro dela havia uma nave. Nunca tinha visto nada parecido. Era em forma de disco, uns doze metros de diâmetro. Metálica, mas diferente de qualquer metal com que eu já tinha trabalhado. Parecia mudar sob a luz, quase como se estivesse viva. Não havia emendas visíveis, nem rebites, nem parafusos. Só aquela superfície lisa, sem costuras. Meu supervisor, que a gente chamava só de 'Chefe', disse que era um veículo recuperado. Não disse recuperado de onde. Disse que meu trabalho era aprender os sistemas dele e mantê-lo em funcionamento. Disse que havia outros doze como ele em várias instalações pelo país, e que equipes como a minha faziam a manutenção de todos eles.
[ A história continua no jogo completo... ]