O Encontro no Lago

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Isso aconteceu em agosto de 1996. Final de agosto, porque as noites já estavam ficando frias lá. Meu marido e eu tínhamos dirigido até Crane Prairie Reservoir para passar o fim de semana. Só os dois. Nossos filhos estavam com minha irmã, o que foi uma história toda porque ela tinha acabado de pegar um filhote novo e eu estava preocupada que seria caos demais, mas enfim. David adora pescar naquele reservatório. Truta e salmão kokanee, ele diz que a pesca é melhor bem antes do pôr do sol. Chegamos por volta das quatro da tarde, montamos nossas cadeiras de acampamento perto da água. O lugar estava bem vazio naquele dia. Talvez dois outros grupos bem longe na margem, longe o suficiente para não os vermos claramente. Eu não estava planejando pescar. Tinha trazido um livro e imaginei que ficaria relaxando enquanto ele fazia o dele. David foi andando pela margem talvez uns duzentos metros até aquele ponto que ele gosta, onde o fundo afunda mais. Disse que os peixes nadam mais fundo lá. Mal conseguia distinguir ele de onde eu estava sentada. Longe demais para ouvir qualquer coisa se chamasse. Só uma forma contra a água.

Estava quente para final de agosto. O sol ainda estava alto, provavelmente umas seis e meia. Tinha lido por talvez meia hora quando comecei a sentir sono. Sabe aquela sensação pesada que você tem no sol? Tudo fica mais lento. O livro ficou mais difícil de focar. Conseguia ouvir David bem longe na margem, o som de clique do carretel quando ele lançava. O som viajava pela água. Lembro de pousar o livro na caixa de isopor do meu lado e pensar que fecharia os olhos por um minuto. O som da água estava bem ali, ondinhas batendo nas pedras. Alguns pássaros chamando do outro lado do lago. David estava bem longe na margem fazendo o dele, e é isso que me pega — me senti completamente segura. Completamente sozinha de um jeito bom. Fui dormindo sentada naquela cadeira. Não sei quanto tempo fiquei apagada. Podia ter sido dez minutos, podia ter sido uma hora. O sol estava diferente quando comecei a acordar. Mais baixo. Aquela luz dourada que você tem bem antes do pôr do sol, tudo ficando laranja e apagado. Não conseguia ver muito, tudo estava meio embaçado e escuro. Mas eu sabia que algo estava errado antes mesmo de abrir bem os olhos. Sabe aquela sensação? Quando você percebe que tem alguém por perto?

Abri os olhos e eles estavam parados bem ali. Bem na minha frente. Dois deles. O da esquerda estava mais perto. Talvez uns noventa centímetros do meu rosto. E estava se estendendo em direção a mim. Não conseguia me mover. Queria gritar mas não saía nada. Como se meu corpo inteiro estivesse congelado exceto pelos olhos. A mão da coisa — se é que pode chamar de mão — veio até meu rosto. Quatro dedos, longos e finos, cinzas como o resto dela. Sem unhas. Só liso nas pontas. E tocou meu queixo. Deslizou um dedo do meu lábio inferior até o queixo, devagar. Deliberado. A pele estava fria. Seca mas não áspera. Quase cerosa. É isso que mais me assombra quando penso nisso. Aquele toque. O quanto era frio. O quanto parecia errado. O outro estava parado ali observando. Os dois me observavam com aqueles olhos. Conseguia vê-los perfeitamente mesmo na luz fraca — olhos enormes e negros, sem nenhum branco, tomando metade dos rostos. As cabeças eram grandes demais para os corpos, aquele formato de bulbo do qual todo mundo fala. Pele cinza lisa, quase azul-cinza naquela luz. Sem nariz, só dois buracos pequenos. Uma fenda como boca, sem se mover.

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