Boa noite. Sou historiador, pesquiso fenômenos aéreos inexplicados há quase vinte anos. Sou especializado em avistamentos pré-aviação, coisas que as pessoas viram no céu antes de termos qualquer razão para estar lá. E estou ligando porque há um pedaço da história americana que a maioria das pessoas esqueceu completamente. A Grande Onda dos Dirigíveis de 1896 e 1897. Isso foi cinquenta anos antes de Roswell, seis anos antes de os Irmãos Wright decolarem em Kitty Hawk. E ainda assim, por todo esse país, dezenas de milhares de pessoas relataram ver máquinas voadoras no céu. Agora quero contar o que os jornais relataram na época, porque os detalhes são notáveis. Começou em Sacramento, Califórnia. 17 de novembro de 1896. Essa é a data que iniciou a primeira onda de OVNIs da América, embora é claro que não os chamassem assim. Os chamavam de dirigíveis.
Imagine a cena. Sacramento, final da tarde, céu limpo. Um homem chamado Robert Lowery está na rua quando olha para cima e vê uma luz brilhante se movendo lentamente pelo céu, talvez a trezentos metros de altura. Ele a descreveu como tendo um corpo escuro atrás da luz, em forma de charuto, com o que pareciam ser rodas nas laterais. E então, eis a questão, ele afirmou ter ouvido vozes vindo de cima. Um homem gritando ordens. Lowery disse que ouviu alguém gritar: 'Leve ela mais para cima, vai bater na torre!' Ele assistiu à coisa deslizar sobre sua cabeça, movida pelo que pareciam ser dois homens pedalando em algum tipo de mecanismo de bicicleta. Um compartimento de passageiros embaixo. Um farol brilhante na frente. Bem, Lowery não estava sozinho. Nos dias seguintes, centenas de pessoas em Sacramento relataram ver a mesma coisa. Os jornais estamparam manchetes como 'Uma Aparição Errante' e 'Afirmam ter visto um Dirigível Voador'. Arquivos de 1897 documentam centenas de avistamentos — Keira. No dia 21 de novembro, a luz reapareceu, e desta vez foi vista pelo vice-xerife e pelo procurador distrital de Sacramento. Testemunhas credíveis. Naquela mesma noite, a coisa foi avistada sobre San Francisco, Oakland e uma dúzia de outras cidades. Até a equipe do prefeito de San Francisco relatou vê-la passar sobre a Cliff House perto do oceano.
Os jornais enlouqueceram. Era 1896, no auge do jornalismo sensacionalista, é verdade, mas essas não eram fontes anônimas. As pessoas davam seus nomes. Profissionais, empresários, funcionários públicos. Um advogado chamado George Collins veio a público afirmando que representava o inventor. Disse que o homem era rico, tinha gasto quinze anos e mais de cem mil dólares aperfeiçoando uma máquina voadora. Collins descreveu tê-la visto pessoalmente, uma nave metálica de cerca de quarenta e cinco metros de comprimento com asas de lona com cinco metros e meio de largura. Disse que o inventor não estava pronto para se revelar porque aguardava as patentes. A história inteira parecia plausível. Era uma era de maravilhas, afinal. O telefone tinha acabado de ser inventado. Os raios X tinham acabado de ser descobertos. Por que não uma máquina voadora? Mas então Collins recuou de suas afirmações. Os jornais o ridicularizaram, publicaram caricaturas. Ele acabou retratando tudo e desapareceu. Os avistamentos na Califórnia foram sumindo em dezembro. E as pessoas acharam que era o fim. Não era. Em fevereiro de 1897, o dirigível estava de volta, desta vez sobre Nebraska. E em abril, havia varrido todo o Centro-Oeste.
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