Boa noite. Isso aconteceu em março de 1991. Eu trabalhava pro Serviço Florestal na época, baseado no escritório de Galice. Cobrimos um bom pedaço das Siskiyou, principalmente manutenção e vigilância de incêndios, mas às vezes éramos chamados pra outras coisas. Avião caído, caminhante perdido, esse tipo. Era uma terça-feira à noite, por volta das dez e meia, e eu estava quase me deitando quando a chamada chegou. A central disse que tinham recebido relatos de algo caindo na floresta, testemunhas descreveram como uma bola de fogo, talvez um pequeno acidente de avião. As coordenadas colocavam a coisa a uns treze quilômetros a nordeste da estação, numa área bem remota. Mata densa, sem estradas num raio de três quilômetros. Peguei meu equipamento e saí. A noite estava limpa, fria, talvez uns 2 graus. Sem lua, só estrelas. Meu rádio tinha travado a semana toda, completamente morto, então eu estava por conta própria assim que entrei na trilha. Peguei a estrada de serviço o máximo que deu, depois fui a pé. As coordenadas eram boas e eu conhecia bem aquela área.
A caminhada durou uns vinte minutos. Você ainda sentia no ar antes de ver qualquer coisa, aquele cheiro de metal queimado, como quando você está soldando mas mais agudo. Mais químico. Cortava direto o cheiro de pinheiro. Subi um morro e lá estava, num pequeno clareira. E vou te dizer agora, não era nenhum avião. Tinha uns dez metros de diâmetro, em forma de disco, com aquela superfície metálica opaca que não refletia minha lanterna do jeito que metal reflete. A coisa parecia absorver a luz. Não havia campo de destroços, nenhuma cratera de impacto, nada quebrado. Estava só sentada ali, completamente intacta, com esses painéis ou emendas ao longo da borda que brilhavam com uma tênue luz laranja. A clareira inteira estava quente. Dava pra sentir o calor a uns cinco metros. Vapor subia do chão onde ela tinha pousado. Passei uns vinte e cinco, trinta minutos só documentando o que via. Fazendo medições com meu telêmetro, anotando. O tempo todo, esse som de zumbido baixo, bem no limite da audição. Você sentia mais do que ouvia.
Sabia que precisava reportar isso. Quer dizer, estava muito além de qualquer coisa que eu estava equipado pra lidar. Então comecei a voltar em direção à estrada de serviço. Tinha caminhado uns quinze minutos quando ouvi vozes à minha frente na trilha. Aquilo me parou. Já passava da meia-noite. Ninguém devia estar lá. E não eram caminhantes casuais — dava pra ouvir conversa de rádio, tons profissionais. Múltiplas pessoas se movendo na vegetação com propósito. Apaguei minha lanterna e me afastei da trilha, me escondi atrás de um Douglas-fir grande, e esperei. E foi aí que vi eles passar. Três pessoas com equipamento escuro, profissionais. Mas era a pessoa na frente que fez meu sangue gelar. Porque era eu. Estava olhando pra mim mesmo, usando a mesma jaqueta, o mesmo equipamento, tudo. Me movendo do mesmo jeito que me movo. E dava pra ouvir... dava pra ouvir eu mesmo falando no rádio. Chamando coordenadas. Descrevendo pra onde estava indo. ver a si mesmo deve ser aterrorizante - Miles'
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