Os Mergulhadores de Cobre

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Oi, obrigado por me receber. Não sei bem como explicar, então vou direto ao que aconteceu. Foi em fevereiro de 1993. Eu trabalhava numa usina geotérmica nos arredores de Reykjavik. Hellisheidi, se você conhece a região. Instalação grande, cheia de dutos de vapor, canos em todo canto. Tinha aceitado o emprego porque meu casamento tinha acabado de terminar e eu precisava de algo pra manter as mãos ocupadas. Turnos de doze horas olhando para manômetros e verificando válvulas de pressão. Trabalho mecânico, mas era isso que eu queria. A usina funcionava vinte e quatro horas, mas a equipe noturna era sempre mínima. Na maioria das noites tinha umas três ou quatro pessoas espalhadas pela instalação inteira. Mas naquela noite, não sei como explicar de outro jeito, as coisas se encaixaram de um jeito que me deixaram sozinho lá. Dois caras ficaram doentes, um teve uma emergência familiar. Aí fui só eu da meia-noite até as seis da manhã. Não me importei. Gostava do silêncio. Só eu, o vapor e o zumbido das turbinas.

A Islândia em fevereiro, você precisa entender, é escura. Quero dizer escura de verdade. O sol nasce por volta das dez, se põe por volta das cinco, e o resto é só aquele nada azul-preto. A usina tinha iluminação, claro, grandes lâmpadas de sódio por todo lado, mas dava uns vinte metros pra fora e parecia que o mundo tinha acabado. Só vapor subindo para a escuridão. Eu fazia as rondas por volta das duas da manhã. Verificando os dutos do lado leste, os mais distantes do edifício principal. Fazia frio, talvez uns oito negativos, e o vapor estava grosso naquela noite. Mal dava pra ver as chaminés, só essas colunas brancas subindo e desaparecendo. Tinha minha lanterna mas ela não adiantava muito no vapor. Só fazia tudo brilhar. Foi aí que vi a luz. Não a minha lanterna. Outra coisa. Lá em cima, atravessando o vapor. A princípio pensei que era um helicóptero da guarda costeira. A gente recebia às vezes, inspecionando a usina. Mas aquela luz não se movia como helicóptero. Tava só parada lá. Pairando.

Apaguei a lanterna e fiquei só olhando. A luz começou a descer. Devagar, deliberada. Sem nenhum som. É o que mais lembro. Helicóptero, você escuta de quilômetros de distância. Aquela coisa não fazia barulho nenhum. Só aquela descida suave pelo vapor. Quando chegou baixo o suficiente, deu pra ver que não era só uma luz. Havia uma forma atrás dela. Em formato de disco, uns quinze metros de diâmetro. A superfície parecia metal escovado, mas envelhecido de algum jeito. Oxidado. Tipo cobre que ficou na chuva. Havia ranhuras ao longo dela, rebites talvez, como algo construído cem anos atrás. Parecia que pertencia a um museu, não flutuando no ar. Desceu direto em cima do conjunto de dutos do lado leste. Não pousou exatamente, foi mais como se acomodou no vapor, pairando uns um metro acima do chão. O vapor continuava subindo ao redor, enrolando pelas laterais. E então um painel na parte de baixo se abriu, e duas figuras saíram.

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