Oi. Meu nome é Daniel, ligando de Exeter, New Hampshire. Isso aconteceu comigo em setembro de 1965. Eu tinha dezoito anos na época, tinha acabado de me formar no ensino médio naquele junho, e faltavam três semanas para me alistar na Marinha. Tinha me alistado, assinado todos os papéis, tudo certo. Então, no dia 3 de setembro, de madrugada, por volta das 2 da manhã, eu estava pedindo carona de volta para Amesbury, Massachusetts. Tinha ido visitar minha namorada na casa dos pais dela, umas dez milhas a sudeste de Exeter. Tinha vendido meu carro recentemente, precisava do dinheiro, então pedir carona era como eu me locomovia naquela época. Não tinha muito trânsito àquela hora, então acabei caminhando a maior parte pela Rota 150. Estava perto de Exeter, em Kensington, quando avistei as luzes pela primeira vez. A princípio, pensei que fossem de uma viatura policial ou de um caminhão de bombeiros, sabe, aquelas luzes vermelhas piscando à distância. Mas conforme me aproximei, percebi que as luzes não estavam na estrada. Estavam no ar, logo acima das árvores.
Eram cinco. Cinco luzes vermelhas brilhantes, piscando, pairando talvez a dez ou doze metros do chão. Iluminavam esse campo e duas casas próximas com uma luz vermelha intensa. Tudo estava banhado de vermelho. Uma das casas pertencia à família Dining, que não estava em casa. A outra era a casa da família Russell. O objeto em si, eu diria que tinha uns vinte e cinco metros de comprimento. Enorme. Grande como uma casa, talvez maior. E era completamente silencioso. Foi isso que me pegou. Sem barulho de motor, sem pás de rotor, nada. Só um silêncio absoluto. Então começou a se mover em minha direção. Eu estava parado na beira da Rota 150 no meio da madrugada, e aquela coisa enorme com luzes vermelhas piscando vinha direto para mim. Entrei em pânico. Me joguei na vala do lado da estrada. Achei que ia me acertar. O objeto mudou de direção. Foi para a propriedade da família Dining e ficou pairando ali, bem sobre o telhado. Aproveitei aquela chance para sair da vala e correr. Corri até a casa dos Russell, comecei a bater na porta, gritando por socorro. Ninguém respondeu. Mais tarde me disseram que ouviram, mas estavam com muito medo de abrir a porta.
Então estava lá parado, batendo naquela porta, e o objeto começou a se afastar, de volta para o bosque. Foi flutuando e desapareceu sobre as árvores. Corri de volta para a estrada e, graças a Deus, havia um carro vindo. Fui direto para o meio da Rota 150 e forcei que parassem. Era um casal, um homem e uma mulher de meia-idade. Devo ter parecido louco, mas implorei que me levassem até a delegacia de Exeter. Eles me levaram, e eu entrei na delegacia de qualquer jeito. O policial de plantão aquela noite era Raymond Tucker, todo mundo o chamava de Scratch. Ele me conhecia, eu havia morado em Exeter a vida toda. Dava para ver que eu estava abalado, pálido, minhas mãos tremiam. Contei tudo que havia acontecido. Scratch chamou pelo rádio o Oficial Edward Barrett, que estava em patrulha. Quando Edward chegou à delegacia e ouviu minha história, mencionou algo. Mais cedo naquela noite, tinha parado para ajudar uma mulher na Rota 108. Ela estava sentada no carro, aterrorizada, e contou que um objeto enorme com luzes vermelhas piscando tinha seguido o carro dela por dezenove quilômetros, de Epping até Exeter. Edward achou que ela era maluca na época, nem sequer registrou um relatório. Mas depois de ouvir minha história, decidiu que talvez ela não fosse louca afinal.
[ A história continua no jogo completo... ]