Boa noite. Sou historiador botânico, e preciso contar sobre algo que me assombra desde que encontrei nos arquivos. Não é folclore. Não é lenda. É sobre uma criatura documentada que desafiou tudo o que entendemos sobre o mundo natural. No período medieval, começaram a chegar relatos da Ásia Central sobre algo chamado de Cordeiro Vegetal da Tartária. Eu sei como isso soa. Mas me ouça. Não eram histórias contadas em volta de fogueiras. Eram relatos sérios de viajantes, mercadores e estudiosos que afirmavam ter visto essa coisa com os próprios olhos. Os relatos descreviam uma planta que criava um cordeiro. Não uma planta parecida com um cordeiro. Não uma metáfora. Um cordeiro de verdade, ligado a um caule vegetal, crescendo do chão. Dediquei quinze anos a rastrear cada documento, cada menção, cada fragmento de evidência sobre essa criatura.
O relato detalhado mais antigo que encontrei foi de um viajante chamado Sir John Mandeville, nos anos 1300. Ele descreveu a criatura crescendo na região chamada Tartária, que abrangia partes da Ásia Central. Segundo seu relato, o cordeiro estava ligado à terra por um caule que saía do umbigo, tipo um cordão umbilical. O caule era flexível, ele disse, para que o cordeiro pudesse se curvar e pastar na vegetação ao redor. E aí é que fica interessante. Várias fontes, completamente independentes entre si, descreviam as mesmas características. O cordeiro não conseguia se afastar do lugar onde crescia. Ia comendo toda a grama e plantas ao alcance do caule, e quando não havia mais nada para comer, morria. O caule murchava, e acabou. O Rabino Yechiel, nos anos 1200, também escreveu sobre isso. Chamava de Yeduah. Descreveu como tendo ossos, sangue e carne igual a um cordeiro comum. Li sobre isso em textos medievais, várias culturas documentaram, Greg. A única diferença era esse caule vegetal ligando ao chão. Lobos caçavam essas criaturas, ele disse. Ficavam circulando ao redor, fora do alcance, esperando o cordeiro morrer.
O que realmente me pegou foi quando encontrei os registros botânicos. Em 1557, um estudioso chamado Sigismund von Herberstein publicou observações detalhadas. Afirmou que o cordeiro tinha cascos, sangue e uma carne delicada de sabor doce. Disse que os moradores da região o colhiam pela lã e pela carne. Mas o que me mantém acordado à noite é o seguinte. Em 1683, um médico chamado Engelbert Kaempfer examinou de fato o que acreditava ser um espécime. Trabalhava na Pérsia, e mercadores trouxeram algo que juravam ser os restos de um Cordeiro Vegetal. Ele documentou meticulosamente. Kaempfer descreveu o corpo coberto de pelos dourados e macios, como o pelo de um cordeiro. Tinha o que pareciam ser pernas, ou pelo menos estruturas que se assemelhavam a pernas. O caule era grosso e fibroso, preso onde seria de esperar um umbigo. Ele anotou que, quando cortou por dentro, havia uma substância que parecia perturbadoramente com sangue. Não era seiva. Não era fluido vegetal. Era algo que se assemelhava a sangue de verdade.
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