Sou bióloga marinha. Trabalhava para o National Oceanic Survey em 1991, estacionada na costa sul do Oregon. Fazíamos um estudo de vários anos sobre padrões de maré e seus efeitos nos ecossistemas entremarés. É difícil descrever o que encontramos. Naquele verão, começamos a receber leituras anômalas dos nossos medidores de maré. Não uma diferença de poucos centímetros. Estamos falando de discrepâncias de até dois metros entre os níveis de água previstos e os observados. Os equipamentos eram novos, bem mantidos, e tínhamos calibrado tudo conforme o protocolo. Não havia explicação mecânica para o que estávamos vendo. No início, achamos que podia ser atividade sísmica local causando subsidência, ou talvez um padrão de corrente incomumente forte que não tínhamos levado em conta. Mas as leituras eram erráticas demais. Elas disparavam, normalizavam, disparavam de novo. Sempre correlacionando com o ciclo das marés, mas de forma imprevisível.
Fui eu quem decidiu fazer uma inspeção física no local do medidor. Ficava numa enseada relativamente protegida, a uns cinco quilômetros ao sul da estação de pesquisa principal. Costa rochosa, muitas poças de maré, terreno típico da costa do Oregon. O medidor em si estava montado num pilar de concreto que descia até a água. Fui até lá durante uma maré baixa negativa no início de agosto. A maré baixa era às seis e quarenta e sete da manhã, e eu queria ver o máximo possível do substrato. A manhã estava nublada, camada marinha típica, mas a visibilidade era boa o suficiente. Eu tinha meu kit de campo, câmera, cadernetas, equipamento de levantamento padrão. Quando cheguei ao medidor, tudo parecia normal à primeira vista. A montagem estava firme, sem danos visíveis, a eletrônica estava seca e funcionando. Mas então percebi algo estranho no substrato ao redor da base do pilar.
Havia essas formações na rocha. À primeira vista, pareciam formações normais de poças de maré, sabe, aquelas superfícies irregulares e em camadas que você encontra depois de anos de crescimento marinho e erosão. Mas algo na textura estava errado. Era uniforme demais, consistente demais por uma área grande demais. Me ajoelhei para ver mais de perto, e foi então que percebi que não era rocha. Era orgânico. Algum tipo de organismo colonial enorme, talvez parecido com uma esponja ou tunicado, mas diferente de tudo que eu tinha visto em vinte anos de pesquisa marinha. A superfície tinha essa qualidade couroada, com o que parecia ser centenas de poros ou aberturas minúsculas. A coisa cobria talvez trinta metros quadrados da zona entremarés, ao redor do medidor. Tinha uns quinze centímetros de espessura no estado atual, murchada, eu pensei, porque era maré baixa.
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