Oi, obrigado por atender minha ligação. Fiquei muito tempo em dúvida se devia compartilhar isso. Já faz mais de dez anos e ainda não gosto de falar sobre. Mas acho que as pessoas precisam saber que essas coisas acontecem. Que são reais. Foi em 2013. Final de setembro. A gente tinha acabado de se mudar pra uma casa em Westerville, um subúrbio ao norte de Columbus. Bairro tranquilo, casas antigas, daquelas com árvores grandes e aquelas varandas largas na frente. A gente comprou por um preço bom porque precisava de reforma. Os donos anteriores tinham deixado ir. Tinta descascando, jardim tomado. Mas a estrutura era boa, faz sentido. E a gente precisava de espaço porque tínhamos acabado de ter nossa filha Emma. Lembro que tava estressado com a visita da minha sogra naquela semana. Ela tinha opinião sobre tudo. A casa, o quarto do bebê, como eu tava alimentando a Emma. Bobagem de lembrar, mas lembro. Tava mais preocupado com a visita dela do que com desempacotar as caixas.
O quarto era no final do corredor de cima. Pequeno, uns três por três. A gente tinha pintado de amarelo-pálido. Colocado cortinas com elefantinhos. O berço da Emma ficava encostado na parede do fundo, embaixo da janela. A gente tinha um daqueles monitores de bebê com câmera. Não o tipo sofisticado que conecta ao celular pelo wifi, só o básico com uma tela dedicada. A câmera ficava na cômoda do outro lado do berço, apontada direto pra ela. O monitor ficava na nossa mesinha de cabeceira. Dava pra ver o quarto inteiro. Meu marido Jake viajava muito naquele outono. A empresa dele tava abrindo um escritório novo em Phoenix e ele ficou por lá boa parte de setembro. Aquela semana inteira em que as coisas começaram a acontecer, eu tava sozinha com a Emma naquela casa. Só eu e uma bebê de seis meses numa casa que eu mal conhecia ainda.
Emma nasceu no dia seguinte ao Dia dos Namorados. 15 de fevereiro de 2013. Ela tinha seis meses quando isso começou, just começando a sorrir pra tudo, fazendo aqueles sonspapos. O bebê mais feliz que você já viu. A primeira noite foi numa terça. Lembro porque terça era quando Jake ligava de Phoenix, e eu tinha acabado de desligar pra ele quando fui dormir. Era tarde, umas onze. Adormeci com o monitor na mesinha de cabeceira, a tela brilhando naquele verde-cinza da visão noturna. Acordei às três horas e catorze minutos da manhã. Sei o horário exato porque olhei pro relógio imediatamente. E o motivo pelo qual acordei era porque a Emma estava rindo. bebês no primeiro outono são tão preciosos - Leo' Não chorando. Rindo. Aquela gargalhada encantada, como se alguém estivesse brincando com ela.
[ A história continua no jogo completo... ]