Boa noite. Me chamo Tony, ligando de Long Island. Sou professor de ciências — ou era, já estou aposentado —, mas passei mais de trinta anos em sala de aula ensinando ciências da terra e química. Digo isso de saída porque preciso que você entenda de onde eu estou falando. Não sou uma pessoa crédula. Passei toda a minha vida profissional ensinando jovens a observar, a questionar, a testar. Então, quando eu digo que aconteceu algo comigo que não consigo explicar, preciso que saiba que venho tentando explicar isso há cinquenta anos e ainda não consigo. Foi no verão de 1975. Eu morava em Oyster Bay, aqui em Long Island. Uma manhã de sábado, em pleno verão. Lembro que tinha ficado acordado até tarde demais na noite anterior, revisando avaliações dos alunos — sabe aquela sensação de cansaço em que você está se movendo mas ainda não está realmente acordado? Era isso. Estava me arrastando até o carro, chaves na mão, pensando só em tomar um café antes de o dia começar. Abri a porta da frente e entrei numa manhã linda. Céu limpo. Calor. O tipo de dia de verão que você realmente fica esperando. Estava na metade do caminho até o carro quando olhei para cima. E parei. Havia algo acima da minha casa.
Quero descrever a cena com clareza, porque o contexto importa. O céu naquela manhã estava completamente aberto. Havia algumas nuvens altas lá no alto, cirrocúmulos, dispersos, nada de anormal — flutuando na altitude do jeito que fazem numa manhã de verão. Nada baixo. Nada perto do chão. Exceto por aquela coisa. Estava pendurada bem acima da cumeeira da minha casa. Talvez uns doze metros de altura, mais ou menos. Escura, mais escura do que o céu atrás dela, com uma densidade que nuvens normais não têm. A princípio pensei que fosse fumaça, que algum vizinho tinha feito fogo, talvez. Mas não estava se dispersando do jeito que fumaça se dispersa. Tinha bordas. Bordas definidas, que nuvens naquela escala simplesmente não têm. E era mais ou menos do tamanho de uma bola de basquete. Fiquei parado olhando para ela. E foi aí que percebi pela primeira vez que havia algo genuinamente errado. As nuvens altas acima dela estavam se movendo para leste. Uma brisa leve vinda do oeste, o que é normal naquela região numa manhã de verão. Aquela coisa estava se movendo para oeste. Contra o vento. Deslizando devagar, balançando de um lado para o outro acima do telhado, movendo-se na direção oposta a tudo mais no céu. Coloquei minha garrafa térmica no capô do carro. Fiquei parado ali olhando. Porque é o que você faz quando é cientista e algo não faz sentido. Você observa.
A coisa começou a mudar de forma. Devagar, a princípio. A massa do tamanho de uma bola de basquete começou a se alongar, a parte de cima e a de baixo se afastando, e depois a se alargar um pouco. Foi de redonda a oval, depois de oval para algo mais difícil de descrever — com múltiplas curvas, assimétrica, como algo entre uma coluna e uma escultura abstrata. A textura continuou densa, escura, definida. Sem se difundir. Sem se espalhar do jeito que vapor ou fumaça fazem. Quando parou de mudar, tinha talvez dois metros de altura e uns quarenta e cinco centímetros de largura. Vertical. Simplesmente pendurada ali acima da cumeeira. algo mudar de forma assim me faria travar — Carl' E ela ainda se movia contra o vento. Durante todo o tempo em que mudou de forma, manteve aquele lento balanço em deriva, rumo ao oeste, contra tudo ao redor. E então ela inspirou. Não sei como descrever de outra forma. A parte superior da coisa se comprimiu, e a parte inferior se expandiu, e havia essa sensação inconfundível de absorção — como observar um peito subir quando alguém respira fundo. Sei exatamente como isso soa vindo da minha boca. Sei. Mas foi o que eu vi. Ela se recolheu para dentro de si mesma. E ficou ali por apenas um ou dois segundos. Quieta. Como se estivesse decidindo alguma coisa.
[ A história continua no jogo completo... ]