Ouço seu programa há uns três anos, e finalmente decidi que precisava ligar sobre isso. Porque o que aconteceu comigo, sei como vai soar. Mas aconteceu. E acho que outras pessoas precisam saber que é possível. É como eu vejo. Foi no verão de 1993. Julho, especificamente. Morava sozinha numa casa alugada na borda de Crestview. Lugar pequeno, dois quartos, mas tinha aquela ótima varanda solar no lado sul. Janelas grandes, boa luz. Tinha instalado todas as minhas plantas domésticas lá. Sempre tive plantas. Minha mãe tinha, a mãe dela tinha. É algo que sempre fiz. Tinha umas quinze plantas naquele cômodo. Principalmente coisas comuns, pothos, plantas-aranha, uma figueira-lira. E tinha aquela samambaia de Boston que tinha comprado num viveiro uns oito meses antes. Planta saudável. Nada de especial sobre ela, ou assim pensava. Mantinha num suporte perto da janela leste.
A primeira vez que notei algo estranho foi bem cedo pela manhã. Talvez seis e meia, logo depois do amanhecer. Tinha ido à varanda solar pra regar tudo antes do trabalho. Tinha minha rotina. Começava no lado esquerdo do cômodo e ia dando a volta. Quando cheguei à samambaia, estendi a mão pra tocar a terra, verificar se precisava de água. E as frondes se moveram. Não como se uma brisa estivesse soprando. As janelas estavam abertas para ventilação. Elas recuaram. Para longe da minha mão. Como se recuasse de mim. Fiquei parada por um minuto, só observando. As frondes voltaram devagar para a posição normal. Calculei que talvez tivesse esbarrado no suporte, criado alguma vibração. Então estendi a mão de novo, desta vez mais devagar. A mesma coisa. As frondes recuaram, só levemente, antes mesmo de eu tocá-las. Como se a planta conseguisse sentir minha mão chegando.
Nas semanas seguintes, ficou mais pronunciado. A samambaia reagia quando eu entrava no cômodo. Não dramaticamente. Não ficava se debatendo nem nada assim. Mas as frondes se deslocavam. Se orientavam em minha direção quando eu entrava. Me seguiam enquanto eu me movia pelo espaço. Comecei a testar. Entrava por ângulos diferentes, horários diferentes do dia. A resposta era consistente. Se eu me aproximasse pela esquerda, as frondes daquele lado se deslocavam primeiro. Pela direita, o mesmo. Estava me rastreando. Sei que plantas respondem a estímulos. Crescem em direção à luz, as raízes crescem em direção à água. Mas isso parecia diferente. Parecia consciência. Como se a planta soubesse que eu estava lá. As outras plantas no cômodo não mostravam resposta alguma. Acenava as mãos perto delas, me aproximava da mesma forma. Nada. Era só a samambaia. só a samambaia dos quinze respondeu - Vizinha'
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