A Casa da Pedra Vermelha

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Eu transportava carga pelo Arizona no final dos anos setenta. Longas viagens, principalmente entre Phoenix e a fronteira com a Califórnia. Rodovias desertas, deserto dos dois lados, nada mais. O tipo de direção em que você fica sozinho com seus pensamentos por horas. Foi no verão de '78, lembro porque minha filha tinha acabado de começar o jardim de infância naquele outono. Já fazia três anos que fazia a mesma rota, conhecia cada marco quilométrico, cada posto de descanso, cada lugar onde dava para tomar um café decente. O rádio me fazia companhia na maioria das noites. Estações AM, o que desse para captar. Programas de conversa, na maioria. Às vezes música se eu tivesse sorte. Meu caminhão era um Kenworth '72. Bom caminhão, confiável. O rádio funcionava bem, nunca me deu problema. Deixava ligado mesmo quando só tinha estática, só pelo ruído de fundo. Melhor do que silêncio total, sabe? Não sei como explicar de outra forma, mas o silêncio lá fora podia pesar depois de um tempo.

A primeira vez que ouvi foi numa quinta à noite. Eu passava por um trecho de deserto umas sessenta e cinco quilômetros a leste de Wickenburg. No meio do nada. Só eu, a rodovia e o escuro pressionando de todos os lados. O rádio estava captando quase só estática naquele ponto. Eu estava longe demais de qualquer estação grande. Mas aí ouvi. Uma voz. Voz de criança, cortando todo aquele ruído branco. Era uma menina. Com uns sete ou oito anos, difícil dizer. Parecia com medo. Não chorando, mas com medo. E ficava repetindo a mesma coisa sem parar. 'Por favor, nos ajudem a encontrar a casa de rocha vermelha. A gente não consegue achar a casa de rocha vermelha. Por favor, nos ajudem.' Aumentei o volume. A estática ficou mais alta mas a voz dela também. Cristalina, mesmo eu estando no meio de um cânion com uma recepção que deveria ser péssima. Ela continuava repetindo. Mesmas palavras, mesmo tom assustado. 'Por favor, nos ajudem a encontrar a casa de rocha vermelha.' Depois desapareceu. Só estática de novo. Fiquei lá por bons um minuto esperando voltar, mas não voltou. Pensei que talvez fosse algum tipo de transmissão de emergência, alguma criança perdida. Mas pareceu errado. O jeito que ela disse 'a gente.' Como se houvesse mais deles.

Três noites depois, mesmo trecho de rodovia. Mesma hora, por volta das duas da manhã. Aconteceu de novo. Desta vez era um menino. Mais novo, talvez cinco ou seis anos. Mesma voz assustada, mesma mensagem. 'A gente precisa achar a casa de rocha vermelha. Você pode nos ajudar a encontrar? A casa de rocha vermelha.' Repetindo sem parar pela estática. Parei o caminhão. Não sei por quê. Talvez pensasse que podia responder de alguma forma, não sei. Mas fiquei ali no acostamento com os pisca-alertas ligados, ouvindo a voz daquela criança vindo pelo meu rádio, e senti frio apesar do calor. Provavelmente ainda fazia uns trinta e dois graus lá fora, mas eu estava com arrepios. Tentei mudar de estação. Em cada frequência que sintonizei, lá estava ele. Mesma voz, mesmas palavras, cortando a estática não importava onde eu sintonizasse. 'A casa de rocha vermelha. A gente não consegue achar a casa de rocha vermelha. Por favor, ajuda.' Depois silêncio. Silêncio total. Nem estática. Só ar morto. Não sei como explicar de outra forma, mas aquele silêncio foi pior do que a voz.

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