Ei. Isso aconteceu no verão de 1996. Eu tinha quinze anos, morava em Ashford. Cidade pequena, sem muito pra fazer. Minha amiga Sarah tinha se mudado no mês anterior, então estava meio sozinha naquele verão. Só eu e muito tempo livre. Havia aquela casa na Rua Maple. Abandonada desde que eu era pequena. O lugar Criterion, as pessoas chamavam. Um Victorian antigo, provavelmente lindo outrora, mas em '96 estava só apodrecendo. Tinta descascando, varanda afundando, aquele tipo de coisa. Todo mundo dizia que era assombrada, mas é o que as pessoas sempre dizem sobre casas velhas. Tinha passado por ela umas cem vezes mas nunca entrado. Naquele dia estava entediada pra caramba, e só pensei, por que não. Não estava com medo. Quer dizer, tinha ouvido as histórias, mas não acreditava nelas.
A porta da frente já estava aberta. Só pendurada em uma dobradiça. Lembro de ficar na varanda por um minuto, ouvindo. Silêncio completo. Nem pássaros. A rua inteira parecia vazia. Dentro estava escuro. Muito escuro. Sem janelas intactas, todas tapeadas por fora. Tinha uma lanterna, uma daquelas grandes e amarelas. Acendi e o feixe cortou aquele ar espesso e empoeirado. Tudo estava coberto de poeira e jornais velhos. Papel de parede em tiras. Entrei pelo corredor da frente para o que devia ter sido a sala. Havia uma lareira antiga, um espelho quebrado na parede. Olhava ao redor, só explorando, quando ouvi. Aquele som de tamborilar. Como passinhos rápidos, se é que faz sentido. Correndo.
Me virei e varri a lanterna pelo cômodo. Nada lá. Mas o som continuava. Tap tap tap tap, se movendo de um lado do quarto pro outro. Atrás das paredes, talvez. Me disse que eram ratos. Tinha que ser ratos. Então vi. Por apenas um segundo, cruzando a porta do próximo cômodo. Era pequeno. Talvez sessenta centímetros de altura, se movendo de quatro mas de forma errada. As proporções estavam erradas. A pele era branca. Não pálida, branca. Como china ou porcelana. Lisa e reluzente. Fiquei parada com a lanterna tremendo na mão. Me disse que não tinha visto o que acabara de ver. Mas então voltou. Espiou ao redor do batente da porta para mim. E consegui ver bem. era suave como porcelana, não tinha junturas - Rebecca'
[ A história continua no jogo completo... ]