O Clone do Supermercado

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Olá! Obrigada por atender minha ligação. Isso foi em 84. Eu trabalhava num escritório de seguros em Bloomfield e parava no Piggly Wiggly na Rua Oak todo dia depois do trabalho. Por volta das seis, seis e meia. Fazia minhas compras lá havia anos, conhecia todos os caixas. Meu ex-marido cuidava das compras, mas depois do divórcio tive que fazer isso sozinha. Foi quando comecei a notar ela. Essa mulher, provavelmente na faixa dos trinta, cabelo loiro preso num rabo de cavalo. Ela estava sempre lá quando eu chegava. Sempre no corredor três. Sempre com os mesmos itens no carrinho. Um galão de leite integral, um pão de forma, um pacote de mortadela Oscar Mayer e um saco de maçãs vermelhas. Todo dia. As mesmas coisas exatas. E ela sempre estava usando a mesma roupa também. Um cardigã azul, blusa branca, calça cáqui. Sempre na mesma posição no corredor, como se tivesse sido colocada lá. Lembro que achei estranho, mas você vê as mesmas pessoas no supermercado, não é? As pessoas têm rotinas. Eu tinha a minha.

Depois de umas duas semanas disso, comecei a prestar mais atenção. Ficava de olho nela assim que entrava. Ela estava sempre lá. Mesmo lugar, mesmo carrinho, mesmos itens. Nunca no caixa. Nunca saindo. Só parada ali no corredor três com aquele carrinho. Perguntei a Linda, uma das caixas, se ela conhecia a mulher. Linda me olhou confusa. Disse que não tinha notado ninguém assim. Mas a questão é: como você não ia notar? Essa mulher estava lá todo dia, usando exatamente a mesma roupa. Comecei a achar que estava enlouquecendo. Então uma noite, talvez três semanas depois, resolvi que ia falar com ela. Fui direto ao carrinho dela no corredor três. Ela estava parada lá, mão no cartão de leite, encarando as prateleiras como se estivesse lendo algo.

Eu disse: 'Com licença, já te vi aqui antes.' Algo inofensivo assim. Ela se virou para me olhar. E quando fez isso, seus olhos, eles piscaram prateado. Não como um reflexo das luzes fluorescentes. Como algo atrás dos olhos dela se iluminou por apenas um segundo. Prata metálica, brilhante como uma moeda nova. Então desapareceu e seus olhos eram apenas olhos castanhos normais de novo. Ela não disse nada. Apenas me encarou com aquela expressão completamente vazia. Sem reconhecimento, sem surpresa, nada. Como se eu nem estivesse lá. Então se virou de volta para a prateleira e continuou encarando o leite. Recuei. Terminei as compras o mais rápido que pude. Minhas mãos tremiam quando passei no caixa. Disse a mim mesma que tinha imaginado. As luzes fluorescentes, o estresse do trabalho, alguma coisa. Me convenci de que não era nada.

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