Boa noite. Isso aconteceu no verão de 1986. Eu morava em Columbus na época, trabalhava em construção. Tinha acabado de ser preterido numa promoção, então passava muito tempo em casa, meio amargurado com tudo, se é que você me entende. Meu vizinho, um cara chamado Tom, morava numa casa geminada comigo. Bom sujeito, mais velho, aposentado. Mas naquele verão ele começou a agir de um jeito diferente. Ficava acordado até tarde, havia luzes incomuns saindo do quintal dele toda noite. Achei que fosse algum hobby de fim de semana. Holofotes de jardim, sei lá.
Então numa noite resolvo dar uma olhada. É por volta da meia-noite, e vejo as luzes começarem de novo. Saio pela minha porta dos fundos, cruzo o quintal até a cerca. Há uma fresta entre duas tábuas por onde dá pra ver o quintal dele. O que vi, ainda não consigo explicar. Havia esse... rasgo no ar. A única forma que consigo descrever. Como se alguém tivesse cortado um buraco no espaço. As bordas brilhavam, branco e azul, e no interior era escuro. Não escuro como noite. Escuro como ausência total. E Tom estava lá, parado em frente a ele com uma maleta na mão.
Não sei quanto tempo fiquei parado ali. Parecia uma hora, provavelmente não foi. Aí Tom voltou pelo buraco. Ainda carregava a maleta, mas agora também tinha um recipiente. Vidro ou plástico transparente, mais ou menos do tamanho de uma garrafa térmica. Cheio de líquido que parecia prata. Não cinza, prata de verdade. Ele fechou a maleta, olhou ao redor do quintal, e aí olhou direto pra onde eu tava. Fiquei paralisado. Mas ele não disse nada. Só sorriu, foi pra dentro de casa, e o rasgo no ar simplesmente... sumiu. Como se nunca tivesse existido. No dia seguinte bati na porta dele. Ele me trouxe café, conversamos sobre o tempo, e nada mais. Nunca mais falamos nisso. Mas o líquido prata... isso não saiu da minha cabeça. o recipiente parecia médico ou científico - Vizinho'
[ A história continua no jogo completo... ]