O Milagre do Sol (Fátima, 1917)

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Sou professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra. Preciso contar o que testemunhei no dia 13 de outubro de 1917, em Fátima. Sei como isso soa. Sou um homem de ciência. Passei minha carreira estudando fenômenos observáveis, ensinando alunos a se basearem em evidências empíricas. O que vi naquele dia desafia tudo o que sei sobre o mundo natural. Três crianças pastoras vinham afirmando há meses que a Virgem Maria estava aparecendo para elas. O país inteiro sabia. A mais nova tinha apenas sete anos, pelo amor de Deus. A maioria das pessoas achava que era absurdo. Fui a Fátima como cético, entende. Um observador curioso. Nada mais. As crianças diziam que Nossa Senhora havia prometido um milagre no dia 13 de outubro para que todos acreditassem. Setenta mil pessoas apareceram naquele dia. Talvez mais. O campo estava absolutamente lotado de gente. Pessoas tinham caminhado dias para chegar lá. Tinha chovido a noite toda anterior, constante e frio. O chão estava lamaçal, a multidão estava encharcada, e o céu estava cinzento e deprimente.

Cheguei por volta de uma e meia da tarde. Me posicionei onde podia ver claramente, longe do pior da multidão. Não sou um homem particularmente devoto. Estava lá como observador. Um cientista. Queria ver o que ia acontecer. Por muito tempo, nada aconteceu. Fiquei lá parado no frio, observando as crianças no local onde diziam que a Senhora aparecia. A multidão estava inquieta. Algumas pessoas rezavam, outras pareciam céticas. Alguns zombavam abertamente. Havia críticos naquela multidão, jornalistas de jornais anticlericais, funcionários do governo que tinham vindo especificamente para desmascarar tudo aquilo. Então, por volta das duas horas pelo horário legal, talvez meio-dia pelo sol, a chuva parou. As nuvens espessas que cobriam o céu se abriram de repente. O sol apareceu entre elas. Foi então que ouvi. Milhares de vozes, todas de uma vez, exclamando.

Toda a multidão, as setenta mil pessoas, de repente se afastou de onde as crianças estavam e olhou para o sol. Eu me virei também, seguindo o olhar delas. E lá estava. O sol. Mas não o sol como eu o tinha visto antes. Eu podia olhar diretamente para ele. Você entende o que estou dizendo? Eu podia encarar o disco solar sem dor, sem o menor desconforto. Não machucava meus olhos de modo algum. Não era como olhar o sol através da névoa, não estava velado nem fraco. Estava claro e brilhante, mas parecia um disco de madrepérola. Tinha essa luminosidade estranha, mais clara e rica do que a luz solar normal, com algo do brilho de uma pérola. Tinha uma borda nítida, perfeitamente definida. Parecia uma roda esmaltada. E estava girando. Não cintilando como uma estrela, mas realmente rotacionando sobre si mesmo nessa turbilhão selvagem e vertiginoso.

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