Boa noite. Eu sou o líder da minha comunidade, o povo Ikitu, e estou ligando porque precisamos de ajuda. Minha esposa me fez chá antes de eu ligar, ela sempre faz isso quando estou estressado. Precisamos que o mundo saiba o que está acontecendo conosco. Minha aldeia se chama San Antonio, no distrito de Alto Nanay. De Iquitos até aqui são dez horas de barco pelo rio. Somos cercados pela selva. Vivemos aqui por gerações, e conhecemos estas florestas. Conhecemos os animais, os sons da noite, os espíritos que nossos avós nos contavam. Mas o que tem nos atacado desde o dia 11 de julho deste ano, nunca vi nada igual. Ninguém viu. Os mais velhos da aldeia chamam essas criaturas de Los Pelacaras. Os Descascadores de Rosto. É uma lenda com que crescemos, histórias pra assustar crianças. Criaturas que vêm na noite e tiram seu rosto, sua gordura, seus órgãos. Sempre pensei que eram só histórias. Entende o que estou dizendo? Só histórias velhas pra manter as crianças longe da selva depois do anoitecer. Mas agora eu as vi com meus próprios olhos, e estou lhe dizendo, essas coisas são reais.
Começou no dia 11 de julho. Naquela primeira noite, as pessoas ouviram sons estranhos vindo das árvores na borda da aldeia. Um zumbido, diferente de qualquer coisa que já tínhamos ouvido. Não era animal. Não era vento. Alguns homens foram ver, e voltaram correndo dizendo que viram luzes se movendo pelas copas das árvores. Luzes vermelhas, flutuando. Pensamos que talvez fossem caçadores furtivos, ou garimpeiros ilegais. Temos problemas com eles aqui, o ouro nos leitos dos rios atrai criminosos. Mas então as pessoas começaram a ver as figuras. read about illegal mining cartels operating in that region, maybe connected - Brett' Eram altas. Muito altas. Mais de dois metros, algumas delas. Usavam capuzes escuros, armadura preta cobrindo o corpo inteiro. E flutuavam. Não estou inventando isso. Flutuavam cerca de um metro do chão. Seus sapatos eram redondos, como plataformas, com uma luz vermelha no calcanhar. Suas cabeças eram longas, alongadas, e usavam máscaras que cobriam completamente o rosto. Mas você podia ver os olhos através das máscaras. Amarelados. Quase brilhando. Os jovens da aldeia disseram que pareciam o Duende Verde do Homem-Aranha. O de armadura. Eu não sei nada do Homem-Aranha, mas sei o que eu vi.
Depois de algumas noites de avistamentos, decidi ir ver por mim mesmo. Sou o líder, entende. Não posso pedir ao meu povo que enfrente algo que eu mesmo não enfrento. Então peguei minha espingarda, a que uso pra caçar, e fui até onde as pessoas tinham visto essas coisas. Eram umas onze da noite. Escuro. A selva é muito escura aqui, sem poluição luminosa por centenas de quilômetros. Já tinha esperado uns uma hora quando ouvi aquele zumbido que todos tinham descrito. Baixo, mecânico. Não natural. E então eu a vi. Vindo pelas árvores. Cor de prata, flutuando. Não conseguia ver o rosto claramente por causa da máscara, só a forma da cabeça, muito longa, e aqueles olhos. Ficamos quase frente a frente. Uns dez metros entre nós. Minhas mãos tremiam, mas levantei a espingarda e atirei.[ Acerto direto, no centro do peito. Nada aconteceu. Não caiu. Nem estremeceu. Atirei de novo.[ Mesma coisa. A criatura simplesmente subiu mais alto no ar e desapareceu na escuridão acima das copas. Entende o que estou dizendo? Atirei duas vezes com uma espingarda de caça e ela simplesmente flutuou embora. Foi quando soube que estávamos lidando com algo além da minha compreensão.
[ A história continua no jogo completo... ]