O Carriço e a Âncora

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Obrigado por me receber. Tô querendo ligar pra falar sobre isso faz um tempão, se for ser honesto. Nunca achei o momento certo. Aconteceu em janeiro de 2019. Eu tava trabalhando num pub chamado Wren and Anchor, um lugarzinho em Matlock, Derbyshire. Prédio velho, devia ter pelo menos trezentos anos. Paredes de pedra, teto baixo, tudo isso. Já tinha uns dois anos trabalhando lá. Conhecia o lugar de cor. Naquela noite específica, tava fechando sozinho. O gerente tinha ido embora com dor de barriga lá pelas nove, e o resto da equipe tinha saído às onze. Só eu e o prédio. Tinha deixado meu celular no carro — bateria morta de qualquer forma. Não me dei ao trabalho de buscar. Achei que ia terminar em meia hora. Preciso mencionar que tinha brigado com meu senhorio naquela manhã por causa da caldeira. Coisa idiota de lembrar, mas tava de mau humor o dia todo. Queria só terminar e ir pra casa.

Então tava lá pela meia-noite, talvez uns quinze minutos depois. Tava limpando o balcão, empilhando os últimos copos. Ainda não tinha ligado as luzes principais. Só a claridade que entrava pelas janelas da rua. Os fundos estavam no breu. Foi aí que ouvi. Uma pancada. Vindo do snug — a salinha lateral que usávamos pra eventos privados. Não era como alguém batendo na porta. Era mais como alguém dando palmadas abertas numa mesa, de novo e de novo. Rítmico, quase. Bum. Bum. Bum. Parei o que tava fazendo. Fiquei parado ouvindo. O pub tava fechado. Eu mesmo tinha passado nas portas, checado as janelas. Não devia ter mais ninguém lá dentro. Aí parou. Silêncio total. E pensei: tudo bem, talvez seja cano. Prédio velho, eles fazem barulho. Voltei pros copos. Me falei que tava sendo idiota.

Não devem ter passado nem dois minutos quando ouvi a primeira garrafa ir. Aquele som, você reconhece na hora. Vidro estilhaçando em chão de pedra. Depois outra. Depois outra. Três, quatro, cinco garrafas em sequência rápida. Peguei o taco de críquete que a gente guardava atrás do balcão. Não ri, era tudo que tínhamos. Fui caminhando em direção à porta da adega porque era de lá que parecia estar vindo. O coração acelerado, se for ser honesto. Achei que alguém tinha arrombado a entrada e tava lá embaixo pegando o estoque. Cheguei na porta da adega e ela ainda tava com a tranca por dentro. Exatamente como eu tinha deixado. Mas os sons vinham de lá de baixo. Mais vidro quebrando. E aí esse ruído de trituração, como... não sei bem como descrever. Como dentes batendo uns nos outros muito rápido. Destranquei a porta. Abri. O cheiro me acertou primeiro. Cobre e terra molhada.

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