Oi, boa noite. Sou criptozoólogo, e nos últimos cinco anos me dediquei a pesquisar críptidos africanos, especialmente casos do início dos anos 1900. Tem um encontro que não me deixa dormir — algo que aconteceu no Richtersveld em 1907. A testemunha já faleceu, mas o relato ainda existe nos registros históricos, e o que ele vivenciou lá naquelas cavernas mudou tudo que eu achava que sabia sobre o que pode estar escondido nos lugares profundos deste mundo. O nome dele era Henrik Sawyer. Era médico e garimpeiro na África do Sul, bem instruído, racional, não o tipo de pessoa que inventa histórias. No início de 1907, estava prospectando diamantes no Cabo Norte, especificamente no Richtersveld, essa região desolada perto do Rio Orange. A área era conhecida por depósitos de diamantes, mas também era conhecida por outra coisa. O povo Khoekhoe que vivia por ali tinha histórias sobre uma criatura que chamavam de Grootslang. Grande serpente — é isso que significa em africâner. Diziam que ela vivia nas profundezas das cavernas, guardando tesouros, e que qualquer um que perturbasse aquelas galerias pagaria com a própria vida.
De acordo com o próprio relato escrito de Sawyer, os moradores locais o avisaram repetidamente. Não entre no Wonder Hole, diziam. Era assim que chamavam aquele sistema de cavernas — o Wonder Hole, às vezes o Poço Sem Fundo. Ficava a uns cinco quilômetros do Rio Orange, perto da nascente de Annisfontein. Os Khoekhoe disseram que a caverna descia em linha reta por quase vinte metros antes de se ramificar em quem sabe o quê. avisos locais costumam acabar mal - Tom' Diziam que o Grootslang vivia lá embaixo, enrolado em pilhas de diamantes, esperando. Mas Sawyer era um homem da ciência. Tinha ouvido superstições locais durante anos de trabalho em garimpo, e não dava muito crédito a histórias de serpentes guardiãs. Os diamantes eram reais — os levantamentos geológicos indicavam isso. O monstro, ele concluiu, era puro folclore. Então em março de 1907, reuniu seu equipamento — um guincho de cabo, uma lanterna elétrica, cordas — e desceu sozinho no Wonder Hole.
A caverna descia exatamente como os locais tinham dito. Quase vinte metros de queda vertical, depois o corredor nivelava e se abria numa série de câmaras. Sawyer descreveu o ar lá embaixo como denso e errado — essa foi a palavra que ele usou, errado. Havia um cheiro pungente e almiscarado, diferente de tudo que ele tinha encontrado antes. Não era enxofre, não era decomposição — era algo orgânico e muito antigo. As paredes estavam úmidas, e o feixe da lanterna não penetrava muito longe. A escuridão parecia engolir a luz. Ele avançou mais fundo pelo sistema de cavernas, seguindo o que pareciam ser túneis naturais que se ramificavam em várias direções. O chão era irregular, coberto de guano de morcego e pedras soltas. Então chegou a uma câmara maior. E foi aí que ele viu. A princípio achou que era uma formação rochosa — algo maciço e escuro enrolado contra a parede do fundo. Mas aí se mexeu.
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