Fui e voltei várias vezes antes de decidir compartilhar isso. Ouço seu programa há algum tempo, e continuo ouvindo histórias que me lembram o que vi. Então aqui estou. Isso aconteceu no verão de 1979. Eu tinha nove anos e morava na fazenda da minha família no condado de Hardin, Ohio. Tínhamos cerca de trinta e dois hectares, principalmente milho e soja, com um pasto grande nos fundos que ia até uma faixa de mata. Uma mata velha. O tipo que sempre parecia mais escura do que deveria, se faz sentido. Passei a maior parte daquele verão perambulando pela propriedade sozinho. Filho único. Meus pais trabalhavam na fazenda do amanhecer ao anoitecer, então aprendi a me entreter. Pegava rãs no córrego, construía fortes de fardos de feno, esse tipo de coisa. Foi uma infância boa. Solitária às vezes, mas boa.
O dia em que aconteceu foi um domingo. Lembro porque meus pais tinham ido à igreja naquela manhã. Tinha dito que estava com dor de barriga. Não estava. Só queria ficar em casa e ler meus gibis. Então eles saíram por volta das nove, e eu tinha o lugar todo pra mim. Estava quente naquele dia. Úmido. O tipo de calor em que o ar parece espesso e tudo se move devagar. Tinha ficado deitado na varanda lendo por talvez uma hora quando fiquei inquieto. Decidi caminhar até o pasto dos fundos. Tínhamos um velho trator lá que não funcionava há anos, e eu gostava de subir nele e fingir que estava dirigindo. Tinha chegado mais ou menos na metade do campo quando parei. Havia algo se movendo na orla da mata.
Agora, a orla da mata ficava bem longe. Pelo menos quatrocentos metros, talvez mais. Longe o suficiente para que, quando os veados saíam da floresta, parecessem manchas marrons até se aproximarem. Mas o que eu estava vendo não eram veados. Havia figuras se movendo ao longo da beira das árvores. Figuras altas. Andando eretas. No começo pensei que talvez fossem pessoas da fazenda vizinha, os Hendersons, cortando caminho pela nossa propriedade. Mas a maneira como se moviam estava errada. Rígida demais. Deliberada demais. Como se tivessem que pensar em cada passo antes de dá-lo. Fechei os olhos com a mão e franzi os olhos. Eram quatro delas. E estavam saindo da mata, em direção ao campo aberto.
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