Isso aconteceu em fevereiro de 1996. Sou policial aqui em Duluth, estava há uns doze anos na corporação naquela época. Trabalho principalmente no turno diurno, mas naquela semana tinha coberto alguns turnos noturnos porque estávamos com falta de pessoal. Não estava feliz com isso, sendo honesto. Meus filhos tinham me pedido a semana toda para ajudá-los a fazer um boneco de neve. Tínhamos recebido uns vinte centímetros de neve no final de semana anterior, neve perfeita para modelar. Então naquela tarde de sábado, finalmente consegui. Eu e meus dois meninos, sete e nove anos na época, passamos uma boa hora rolando neve, acertando tudo direitinho. Fizemos esse bonecão, devia ter uns um metro e oitenta. Usamos carvão para os olhos, cenoura para o nariz, a coisa toda. Meu caçula encontrou uma cartola velha na garagem e a enfiamos ali. As crianças ficaram orgulhosas. Tiraram fotos e tudo mais.
Naquela noite, devia ser umas duas e meia da manhã, acordei. Não sei bem por quê. Você conhece aquela sensação quando algo simplesmente te arranca do sono? Minha esposa ainda dormia ao meu lado. A casa estava quieta, só a caldeira funcionando. Levantei para ir ao banheiro, e no caminho de volta olhei pela janela do quarto. Temos um quintal grande, voltado para o norte em direção à linha de árvores. Há um poste de luz duas casas abaixo que emite brilho suficiente para enxergar bastante bem à noite, mesmo sem lua. Conseguia ver nosso boneco de neve bem onde o tínhamos deixado. E ao lado dele estava algo mais. Outra figura, mais ou menos da mesma altura. A princípio pensei que talvez alguma criança do bairro tivesse feito um segundo boneco de neve como brincadeira, sabe, dado um amigo para o nosso. Mas então percebi que estava se movendo.
Aquela coisa estava caminhando ao redor do boneco de neve que tínhamos feito. Circulando, como se estivesse examinando. E aqui está o negócio — ela parecia um boneco de neve por si mesma. Corpo branco e arredondado, aquela mesma estrutura de três seções. Mas se movia sozinha, sem nenhuma pessoa dentro ou coisa assim. Fiquei parado olhando por uns trinta segundos. Ela inclinava para frente, como se estivesse se debruçando para olhar o rosto do nosso boneco, depois recuava. Os movimentos eram deliberados. Curiosos. Como se tentasse entender o que era aquela coisa no meu quintal. Conseguia ver detalhes mesmo do segundo andar. A superfície tinha aquela textura, áspera e cristalina, capturando a luz da rua. Onde os olhos de carvão ficavam no nosso boneco, essa coisa também tinha manchas escuras, mas pareciam molhadas. Reflexivas. E quando ela virou a cabeça — e ela realmente virou — conseguia ver essas manchas se moverem com ela.
[ A história continua no jogo completo... ]