O Encontro com a Serpente de Seljord

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Certo, então isso aconteceu em setembro de 1964, e eu já contei essa história umas cem vezes, mas ela nunca fica menos estranha. Tô ligando de Seljord, moro aqui a vida inteira, e sim, eu sei o que as pessoas falam sobre a serpente. Selma, elas chamam agora. Algumas pessoas tratam como piada, uma coisa de turismo, sabe. Mas eu te digo, o que eu e meus amigos vimos naquela noite era real. Eu tinha uns dezenove anos na época. Eu, meu amigo Håkon, e um cara mais velho chamado Erik, decidimos pescar lá em Sinneodden. É uma ponta que avança pro lago, lugar tranquilo, quase ninguém vai lá. A gente tinha tido boa sorte por lá o verão inteiro, puxando boas trutas. Era uma noite escura de setembro, uma daquelas noites onde mal dá pra ver a mão na frente do rosto quando o sol se vai. Frio também. Lembro que pensei que devíamos ter trazido casacos mais pesados, mas achamos que a fogueira ia nos manter aquecidos. Os peixes estavam mordendo como loucos aquela noite. Quer dizer, a gente tava puxando um atrás do outro. Erik tinha uma teoria de que eles mordem melhor no escuro, e imagino que ele estava certo aquela noite. A gente deve ter ficado lá por umas duas horas, só pescando, conversando, sabe como é. O lago estava completamente calmo, como vidro. Nem uma ondinha em lugar algum.

Decidimos fazer uma pausa, preparar um café. Erik tinha trazido uma velha panela, e a gente fez uma boa fogueira bem ali nas pedras da margem. Fogo grande também, porque tava esfriando e a gente queria secar um pouco. As chamas provavelmente tavam com um metro, um metro e vinte. Estávamos sentados ali, aquecendo as mãos, conversando sobre quantos peixes havíamos apanhado, quando Håkon de repente se levantou. Ele não disse nada a princípio, só apontou pro lago. Olhei pra onde ele apontava e vi. Algo estava vindo em nossa direção pela água. E eu digo vindo direto pra gente, fazendo uma linha reta para a margem onde estávamos sentados. A cabeça estava erguida acima da superfície, talvez meio metro, só essa forma escura cortando a água. A água ao redor se movia, ondulando em grandes vagas. Os três nos levantamos de um salto. Lembro que Håkon pegou sua vara de pesca, como se fosse usá-la como arma ou algo assim. Erik catou uma pedra grande da praia, devia pesar uns cinco ou seis quilos. Suas mãos tremiam, mas ele jogou mesmo assim, com toda força, direto na coisa. A pedra acertou a água uns dois metros na frente dela, fez uma baita onda.

E foi aí que ela virou. A criatura, o que quer que fosse, simplesmente deslizou na água e voltou pra escuridão. Não fez barulho, só esse movimento suave e veloz. Um segundo ela tava vindo direto pra gente, no outro tinha sumido, desaparecida no escuro. A coisa toda deve ter levado uns trinta segundos, de quando a vimos pela primeira vez até quando desapareceu. Meu coração tava acelerado, batendo tão forte que eu conseguia ouvi-lo nos ouvidos. A gente ficou parado lá por um minuto, todos nós respirando fundo, encarando a água. Então nos sentamos de volta perto do fogo, mas ninguém tava relaxado mais. Håkon, ele tava bem abalado. Disse pra mim e pro Erik pra não contar pra ninguém que a gente tinha visto alguma coisa. Lembro das palavras exatas dele. Disse que ia só nos causar problema, as pessoas zoando da gente, nos chamando de mentirosos. Então nos contou que na verdade já tinha visto o animal antes, mas que tinha guardado pra ele mesmo pelo mesmo motivo. eu também guardaria isso pra mim - Karen' Ficamos lá por mais umas hora, mantivemos o fogo aceso, mas não pescamos mais. Só ficamos olhando pra água. Cada pequena ondinha, cada movimento, a gente ficava de ponta. Mas não vimos ela de novo aquela noite.

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