Eu estava viajando pela Toscana no verão de 1989. Era quando eu fazia trabalhos de restauração em edifícios históricos, igrejas, monastérios, esse tipo de coisa. Um colega tinha me recomendado visitar um mosteiro específico nos arredores de Volterra. Disse que tinha alguns detalhes arquitetônicos interessantes que eu deveria ver. O lugar era remoto. Umas oito quilômetros da cidade mais próxima, por uma estrada de terra sinuosa. Paredes de pedra antigas, provavelmente do século XIII ou antes. Umas doze freiras morando lá, todas idosas. Foram educadas quando cheguei, mas havia algo reservado nelas. Como se não tivessem bem certeza se queriam que eu estivesse lá, sabe o que quero dizer? Eu estava lá para fotografar o teto da capela. Afrescos lindos, muito precisados de restauração. A madre superiora, acho que é assim que se chama, me guiou pessoalmente. Ficava me afastando de certos corredores, certas portas. Percebi isso na hora.
Passei três dias lá, fazendo medições e fotografias. trabalhar em mosteiros remotos parece fascinante - Gabrielle' Hospedando num pequeninoquarto de hóspedes no segundo andar. As freiras foram gentis, me traziam as refeições, perguntavam sobre meu trabalho. Mas havia seções inteiras do mosteiro que deixaram claro serem proibidas. Na segunda noite, ouvi. Por volta das 2 da manhã, acordei com aquele som. Arranhados. Não como ratos ou camundongos. Mais pesado. Mais deliberado. Vindo de algum lugar abaixo do meu quarto. E depois aquele som úmido, de gorgolejo. Quase como alguém sufocando, mas não exatamente humano. Me levantei e abri a porta. O corredor estava escuro, mas dava para ver luz de velas vindo das escadas que levavam ao primeiro andar. E ouvi vozes. As freiras, falando em italiano. Vozes suaves, tranquilizadoras, como se usaria com uma criança assustada.
Eu deveria ter voltado para a cama. Sei disso. Mas estava curioso, e foi aí que pensei, talvez uma das irmãs estivesse doente ou passando por algum tipo de crise. Então desci as escadas, o mais silencioso que pude. Havia uma porta no final do corredor leste. Sempre trancada quando eu passava por ela durante o dia. Agora estava aberta uns quinze centímetros, e luz escorria por ela. Podia ouvi-las lá dentro. Três ou quatro freiras, falando em tons suaves. E aquele som de novo, aquele ruído úmido, áspero. Me aproximei. Perto o suficiente para ver pela fresta da porta. O quarto era pequeno, uns três por três metros. Chão de pedra, paredes de pedra. Uma mesa de madeira no centro com comida, pão, queijo, o que parecia carne crua.
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