Oi, obrigado por me receber. Sou pesquisador de criptozoologia, estudo casos de monstros de lago há uns quinze anos. E tem um caso ao qual continuo voltando, uma fotografia que mudou tudo que sabemos sobre o que pode viver no Lago Champlain. Falo da fotografia tirada por uma mulher chamada Sarah Danvers em julho de 1977. E é que esse caso é diferente. Não era aquela bobagem borrada. Era clara. Era real. E ela pagou um preço por compartilhar com o mundo. Deixa eu te contar o que aconteceu com ela. 5 de julho de 1977. Um quente dia de verão. Sarah, seu noivo Tom, e seus dois filhos estavam de férias, dirigindo de Vergennes até St. Albans pela Route 36. Tinham passado a noite com parentes e decidiram parar num campo à beira do lago para um piquenique. Um lugar quieto e bonito no Lago Champlain. As crianças correndo por aí, brincando na água rasa perto da margem. Uma tarde familiar normal. Tom foi de volta ao carro pegar a câmera, uma Kodak Instamatic, e Sarah estava parada olhando para seus filhos, contemplando o lago.
E foi então que a água começou a agitar. Sarah cresceu perto desse lago. Seu avô costumava contar histórias sobre Champ quando ela era pequena. Provocar, sabe, dizendo que se ela não se comportasse no barco, Champ a pegaria. Coisa de criança. Ela nunca acreditou em nada disso. Então quando viu aquela água se agitando, seu primeiro pensamento foi mergulhadores. Aí calculou que fosse um grande cardume de peixe. O Lago Champlain tem algumas percas e esturgeons enormes, coisas assim. Fazia sentido. Mas então a cabeça apareceu. Depois o pescoço. E depois as costas. cabeça e pescoço surgindo separadamente é incomum - Fiona' Ela descreveu mais tarde como sendo cinza-acastanhado, com pele de enguia. Parecia viscoso, ela disse. A cabeça da criatura girava, varria a linha da margem. A boca estava aberta e a água escorria. Ela disse que sentiu que não devia estar lá. Como se estivesse assistindo algo que devia ter ficado extinto trinta milhões de anos atrás.
O que me pega na versão de Sarah é que ela não ficou com medo no começo. Contou a entrevistadores que sentiu admiração total. Calma, até. Só observando essa coisa impossível existir bem na frente dela. Foi Tom que entrou em pânico. Voltou, viu, começou a gritar para as crianças saírem da água. Ajudou Sarah a subir a ribanceira, passou a câmera pra ela. A coisa ainda estava lá. Ainda observando. E ela ergueu aquela Instamatic e tirou uma foto.[ Uma única fotografia. Depois eles — citando ela diretamente — tocaram pra sair dali voando. Agora é onde as coisas ficam complicadas. Sarah não contou a ninguém. Por três anos, guardou aquela fotografia escondida. Ela e Tom mal conseguiam falar sobre isso entre si. Disse que começaram a chamar de pato de dois mil quilos. Porque era mais fácil conviver com um pato de dois mil quilos do que com algo que você não conseguia explicar. Ela tinha medo de ridicularização. Medo de que as pessoas achassem que ela tinha enlouquecido. Então a foto ficou num álbum, e ela tentou esquecer.
[ A história continua no jogo completo... ]