Boa noite. Agradeço por atender minha ligação. Há muito tempo quero fazer isso, e acho que finalmente arrumei coragem. Meu nome é Angus, ligo de Inverness. Aposentado agora, mas passei trinta e dois anos com a Polícia do Norte, cheguei a superintendente antes de pendurar as chuteiras. Menciono isso porque quero que você entenda algo. Não sou do tipo que vê coisas que não estão lá. Passei minha carreira inteira separando fato de ficção, entrevistando testemunhas, determinando o que é crível e o que não é. Eu sei o que vi. Isso aconteceu em junho de 1965. Quase no dia exato, metade do verão. Estava na margem sul do Lago Ness com um amigo meu, Willie Fraser. Pescávamos truta marrom, que era o que fazíamos na maioria dos fins de semana naquela época. Um dia lindo. Aquele tipo em que o lago parece de vidro, sabe? Nos posicionamos olhando quase diretamente para a Baía de Urquhart. Lembro que tinha brigado com minha esposa sobre algo naquela manhã. Nem lembro mais o quê. Engraçado como essas coisas funcionam. Então ali estava eu, lançando minha linha, sem pensar muito em nada, quando vi algo quebrar a superfície da água. Só uma olhada primeiro. Olhei lá, vi, e aí havia sumido. Achei que talvez tivesse imaginado, ou fosse um peixe pulando. Continuei pescando, mantendo um olho naquele ponto.
Então reapareceu. E desta vez, tive uma boa olhada. Era um objeto grande, escuro. Parecendo baleia, é a melhor forma que posso descrever. como a forma curvada é descrita consistentemente - Oscar' Saiu da água nessa forma curvada, quase como um símbolo de infinito subindo e depois arredondando num bloco no final. Então submergiu de novo. Fiquei parado ali, vara na mão, completamente paralisado. Alguns segundos depois, reaparece.[ Mas eis o que fez meu sangue gelar. O bloco final, que tinha ficado à minha direita, agora estava à minha esquerda. Enquanto estava debaixo da água, a coisa tinha girado. Tinha se virado. Foi aí que soube que não era destroço. Não era um tronco. Era algo vivo, algo que se movia com propósito. O vento predominante naquele dia vinha do sudoeste, e o objeto, o que quer que fosse, parecia derivar com ele. Derivando suave, como se não estivesse com pressa. Chamei Willie. Gritei o nome dele. Ele veio correndo pela margem para ficar do meu lado, e eu apontei pela baía. Os dois ficamos parados observando. E a coisa é que não estava se afastando de nós. Estava derivando em nossa direção. Cada vez mais perto. No ponto mais próximo, estimaria que estava a uns 230, 275 metros. Perto o suficiente para ver a textura, a forma como a água se movia ao redor. A cor era um preto profundo, mais escuro que a água em si. O tamanho, não poderia dizer com exatidão, mas era substancial. Maior que qualquer peixe que já vi.
Willie e eu ficamos parados em silêncio por uma eternidade. Nenhum dos dois disse uma palavra. O que você diz mesmo? Observamos derivar pelo campo de visão, aquela forma curvada e negra subindo e descendo levemente com o movimento suave da água. Em determinado momento submergiu completamente, e achei que era isso, que tinha acabado. Mas aí voltou, talvez quinze metros mais adiante. Ainda derivando. Ainda girando. Devo mencionar que Willie tinha tido seu próprio avistamento quase exatamente um ano antes. Parte diferente do lago, circunstâncias diferentes, mas tinha visto algo. Nunca falou muito sobre isso, mas quando o chamei naquele dia, havia um olhar nos olhos dele. Reconhecimento, suponho que se chamaria. Não precisava que eu explicasse o que estávamos vendo. Por fim submergiu pela última vez. Esperamos, devia ter sido vinte minutos ou mais, mas não voltou. A superfície do lago ficou parada de novo, como se nada tivesse acontecido. Willie me olhou, eu olhei pra ele, e a gente arrumou as coisas e foi pra casa. Não pegamos um único peixe naquele dia, se é que você pode acreditar. Não nos importávamos muito. Sei o que as pessoas pensam sobre o Lago Ness. Conheço as histórias, as fraudes, a fotografia do cirurgião que acabou sendo um submarino de brinquedo. Li tudo. Passei anos lendo sobre isso depois do que vi. E entendo por que as pessoas são céticas. Se eu mesmo não tivesse visto, seria cético.
[ A história continua no jogo completo... ]