O Jackalope do Condado de Converse

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Oi. Obrigado por atender. Meu nome é Cody, ligando de Gillette, Wyoming. Nasci e cresci aqui, quarenta e um anos neste condado, então quero começar dizendo que conheço esta terra. Conheço os animais que vivem nela. Veado-de-cauda-preta, antílope-berreiro, lebres, coiotes, cães-da-pradaria, cascavéis. Trabalho com manejo de fauna selvagem há uns quinze anos. Eu sei o que estou vendo quando avisto algo num campo ou numa estrada de noite. Também cresci ouvindo essa história do jackalope. Quer dizer, quem cresce no Wyoming não tem como escapar. Tem uma estátua dele em Douglas, vendem as cabeças empalhadas em todo lugar, toda loja de souvenir de Cheyenne até Cody tem uma pendurada na parede. E eu sempre tratei isso exatamente como todo mundo ao meu redor tratava. Uma piada. Uma armadilha para turista. Dois irmãos com um hobby de taxidermia e senso de humor, e o estado inteiro levando isso adiante desde então. Era nisso que eu acreditava. Acreditei nisso até setembro de 2019.

Foi numa quinta-feira. Lembro disso porque tinha ficado até tarde na cidade por causa de um compromisso de trabalho, um debriefing de levantamento de fauna que se estendeu demais, e eu estava irritado porque tinha que acordar cedo no dia seguinte. Era umas dez e meia, talvez dez e quarenta e cinco da noite, voltando pela Rodovia 59 em direção ao nordeste, rumo a casa. Só eu naquela estrada. Aquele tipo de escuridão que você só encontra aqui, sem lua ainda, estrelas límpidas lá em cima, nada nos dois lados a não ser campo aberto, vegetação rasteira e, de vez em quando, uma cerca capturada pelos meus faróis. Estava com a caminhonete. Biscuit estava na caçamba — ela é minha cachorra australiana de pastoreio, vai comigo a todo lugar. Tinha o rádio bem baixinho. Música country. Lembro disso também, o que é estranho, os detalhes que ficam grudados. Eu tinha acabado de sair de uma curva longa e suave quando a estrada voltou a ficar reta. Foi aí que vi aquilo no acostamento direito, uns vinte metros à minha frente. Pensei que era um gato num primeiro momento. Pelo tamanho. Aí me aproximei e os faróis bateram de frente e eu reduzi a velocidade porque percebi que não era um gato. Era um coelho. Parado ali na beira de cascalho da estrada, me encarando.

Parei a caminhonete uns dez metros atrás e fiquei olhando. E quero ser muito preciso aqui porque já revirei isso um milhão de vezes desde então. Era uma lebre. O corpo, as pernas, as orelhas grandes deitadas para trás, a forma geral. Marrom-acinzentado, robusto, sentado nas patas traseiras. Mas saindo do alto da cabeça havia uma galhada. Não eram tumores. Não era nenhum tipo de crescimento. Uma galhada. Bifurcada duas vezes, simétrica dos dois lados, as pontas com não mais de quinze a dezoito centímetros de altura, mas visivelmente ramificada do jeito que os chifres de veado se ramificam. Não tinha a cor de osso. Um tom mais escuro e quente, quase âmbar sob os meus faróis. O bicho estava parado ali, completamente imóvel, me olhando do jeito que os animais olham quando os faróis os paralisam. A Biscuit começou a enlouquecer lá na caçamba. Latindo, se debatendo, como faz quando fareja algo que não consegue identificar. Eu não tirei os olhos do coelho. Estava tentando pegar o celular no banco do passageiro, tateando sem olhar para baixo, o que levou uns três segundos. Quando olhei de volta, ele tinha sumido. Não pulou para o mato. Sumido. Sem movimento, sem barulho, sem nenhuma forma recuando na escuridão. A estrada estava vazia. Três segundos.

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