O Caminhante do Gelo

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Isso aconteceu em março de 1983. Eu fazia parte de uma equipe de levantamento geológico trabalhando nos Territórios do Noroeste. Tínhamos estado lá por cerca de duas semanas, coletando amostras de núcleo de gelo, mapeando terreno. Frio que você não acreditaria, alguns dias batendo 40 graus negativos. Eu estava sozinho naquela tarde. O resto da equipe tinha voltado ao acampamento base pra reabastecer. Fiquei pra terminar algumas medições no nosso local norte. O sol estava baixo no horizonte, aquela luz ártica plana onde tudo parece desbotado. Tinha acabado de guardar meu equipamento quando vi.

No gelo, talvez uns três quilômetros adiante. A princípio achei que fosse uma crista de pressão, sabe, onde o gelo se curva. Mas então se moveu. Era enorme. Devia ter pelo menos nove metros de altura, talvez mais. Coberto da cabeça aos pés de pelo escuro, marrom ou preto, difícil dizer a essa distância. Andando ereto em duas pernas, mas as proporções eram erradas. Braços compridos demais, pendurados além de onde ficaria os joelhos. Cada passo que dava cobria terreno como nada que eu já tinha visto. Devia ser de seis metros por passada, fácil. Peguei meu binóculo. Minhas mãos tremiam mas consegui focar. A coisa se movia paralela à minha posição, indo para leste. Dava pra ver o pelo ondulando no vento. Dava pra ver a forma como os pés — e eram pés, não patas — pressionavam o gelo a cada passo. Não afundavam. Não escorregavam. Só andava como se possuísse aquele deserto gelado.

Fiquei observando por uns dez minutos. Nunca olhou na minha direção, só manteve aquele ritmo constante. E eis o que me pegou — não havia som. O Ártico é quieto, claro, mas você normalmente ouve algo. Vento, gelo rachandop. Essa coisa se movia em silêncio completo. o silêncio é perturbador - Peter' Nove metros de altura, andando sobre o gelo, e nem um som. Vasculhei minha câmera, tinha usado ela antes pra fotos de documentação. Peguei, tentei dar zoom. Mas a coisa estava longe demais já. Só uma forma escura contra o branco. Tirei três fotos assim mesmo, só pra ter algo. Prova de que não estava enlouquecendo lá fora.

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