Olha, passei a maior parte de vinte anos pesquisando criaturas inexplicadas na África Oriental. Tô falando de pesquisa de verdade, não de poltrona. Botas no chão. Entrevistando anciãos tribais. Vasculhando arquivos coloniais que não eram tocados há um século. E tem um caso ao qual continuo voltando, um relato que genuinamente não consigo explicar. Aconteceu em 1907, perto do Lago Vitória, com um caçador de animais selvagens chamado James Ashford. Antes de você desconsiderar achando que é mais um conto de safari, me ouça. Ashford não era um bêbado contando histórias no bar. Era um caçador experiente, muito respeitado, que trabalhava nesse território há anos. E o que ele viu no Rio Maggori naquele dia, ele jurou até morrer em 1933. Nunca mudou a história. Nem uma vez. Encontrei o relato dele pela primeira vez há uns quinze anos, quando morava em Nairóbi e vasculhava antigos periódicos da Sociedade de História Natural da África Oriental. Havia um artigo de 1913 de um administrador colonial, um homem chamado Charles Harlow, que tinha coletado relatos de criaturas estranhas na região. E lá estava o encontro de Ashford. No momento em que li, soube que era diferente.
Então eis o que aconteceu. Ashford estava num safari, indo em direção ao Rio Maggori com sua equipe de caça. Tinha consigo alguns homens de confiança, rastreadores locais chamados Kato e Luka. Eles tinham trabalhado juntos por anos. Ashford confiava esses homens com a vida. Lembre disso, porque importa. O Maggori corria alto naquele dia. Época de cheia. O rio tinha uns nove metros de largura, correndo através de mata densa a uns 1.450 metros de altitude. Ashford tinha ficado para trás com os carregadores e as ovelhas enquanto mandava os rastreadores à frente pra procurar um ponto de travessia. Um vau que pudessem usar pra cruzar o rio. Aí ouviu o mato estalando. Só galhos quebrando e estalando. E seus rastreadores voltaram correndo pra ele, apavorados. Ashford disse mais tarde que os rostos deles tinham ficado cinzas. Disse que dava pra ver o branco dos olhos a metros de distância. Eram homens que tinham enfrentado leões, elefantes, búfalo. Homens que não se assustavam fácil. E estavam absolutamente petrificados. Disseram que tinham visto algo na margem do rio. Algum tipo de fera. Quando os avistou, mergulhou na água. Descreveram como um cruzamento de serpente do mar, leopardo e baleia. Ashford achou que tinham enlouquecido. Disse pra eles mostrarem ou não acreditaria em uma palavra.
Os rastreadores se reuniram e conversaram em voz baixa. Por fim, depois de uns trinta minutos, voltaram e disseram a Ashford que a criatura estava deitada no meio do rio. Comprida toda. Exposta na superfície da água. Então Ashford os seguiu até o Maggori. E quando chegou a ver o rio, parou brusco. Porque lá estava. A menos de três metros da margem. Se mantendo firme na correnteza com balanços lentos e preguiçosos da cauda. firme na correnteza forte sugere grande força - Natalie' Já li a descrição de Ashford provavelmente umas cem vezes. Sei de cor. Ele disse que tinha quatro, talvez cinco metros de comprimento. A cabeça era tão grande quanto a de uma leoa, mas em formato e padrão de leopardo. Manchada, entende. E descendo da maxila superior havia dois longos caninos brancos. Como presas. Ele disse que pareciam longos o suficiente pra ir de um lado ao outro de um homem. Suas costas eram largas como as de um hipopótamo, mas cobertas de escamas como as de um tatu. O corpo inteiro tinha aquele mesmo padrão de leopardo, aquelas manchas roseta, sobre as escamas. E no final, uma cauda em formato de barbatana larga. Aquela coisa se mantinha firme contra uma correnteza rápida, de frente para o rio acima, e não parecia ter nenhuma dificuldade.
[ A história continua no jogo completo... ]