Olá. Isso aconteceu em agosto de 1995, mas me lembro como se fosse ontem. Tem coisas que a gente simplesmente não esquece, sabe? Eu estava ajudando minha mãe a se mudar para a casa nova dela em Canóvanas, pertinho de San Juan. Fazia semanas, talvez meses, que ouvíamos histórias sobre animais sendo mortos. Galinhas de criação, cabras, todo tipo de gado. Apareciam mortos com esses estranhos furos no pescoço, completamente drenados de sangue. A ilha toda estava tensa naquele verão. Em todo lugar que você ia, as pessoas falavam sobre isso. Meus vizinhos, a senhora do mercado, todo mundo. Uns diziam que eram cachorros selvagens. Outros achavam que era algo pior, algo que ninguém queria nomear em voz alta. A polícia tinha sido chamada a dezenas de fazendas. Prefeitos estavam realizando reuniões. Era sério. E ninguém conseguia explicar o que estava acontecendo. Lembro que o ar parecia diferente naquela semana. Não consigo explicar exatamente, mas havia uma pesadez, uma sensação de que algo estava errado. Os animais da vizinhança também estavam agindo de forma estranha. Cachorros latiam para o nada no meio da noite. Galinhas ficavam em silêncio quando deveriam estar cacarejando. Até os pássaros pareciam mais quietos que o normal.
Então, naquela tarde no início de agosto, provavelmente na segunda semana do mês. Era dia de semana, disso me lembro. Estava na casa nova da minha mãe na Calle 1, perto da Iglesia De Dios. A gente tinha passado o dia todo mudando caixas, e eu estava tirando um descanso, olhando pela janela pra ter certeza de que ninguém estava bloqueando a entrada. Foi quando notei um carro parando lá fora. Estava verificando se ia bloquear o acesso à casa, sabe, só me certificando de que o caminhão de mudança ainda poderia entrar. Mas então vi o homem ao volante, e a sua expressão — ele parou meu coração. Parecia apavorado. Absolutamente apavorado. Seus olhos estavam arregalados, e ele segurava o volante como se sua vida dependesse disso. Fiquei me perguntando o que poderia tê-lo assustado tanto, e foi aí que olhei além do carro dele, rua abaixo. E vi. De pé ali, em plena luz do dia, bem na frente da casa da minha mãe. A princípio, meu cérebro não conseguia processar o que estava vendo. Não era um cachorro. Não era uma pessoa. Era algo que nunca tinha visto antes.
A criatura tinha uns noventa centímetros de altura, talvez um pouco mais. Estava em pé sobre duas pernas, completamente imóvel, como se estivesse estudando algo. A primeira coisa que notei foram os olhos. Meu Deus, aqueles olhos. Eram imensos, escuros e largos, ocupando a maior parte do rosto. Não como olhos humanos, nem como olhos de animal. Eram inclinados, quase ovais, e tinham uma inteligência neles que me deu um frio no estômago. A pele era acinzentada, talvez um pouco esverdeada, não tenho certeza. Não tinha pelo visível. Os braços eram finos, quase esqueléticos, pendendo nos lados. E aqui está o que realmente me pegou: quando olhei mais de perto, vi que tinha cinco dedos em cada mão. Cinco, igual a nós. dark eyes are consistently reported in these cases - Paige' Mas eram mais longos que dedos humanos, mais finos, e não terminavam em garras como as pessoas disseram depois. Pareciam quase humanos, o que de algum jeito tornava tudo pior. A criatura tinha pequenos buracos onde deveria estar o nariz, só pequenas aberturas de ar, e a boca estava fechada mas dava pra perceber que havia dentes por trás daqueles lábios. O que realmente chamou atenção, porém, eram essas fileiras de espinhos descendo pelas suas costas e cabeça. Não eram afiados como espinhos, mais como espinhos emplumados, se é que faz sentido. Tinham uma textura neles, quase como se pudessem se mover ou mudar de posição.
[ A história continua no jogo completo... ]