O Batsquatch

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Ei, obrigado por atender minha ligação. Já contei essa história umas cem vezes ao longo dos anos, mas as pessoas ainda querem ouvir. Isso aconteceu lá em abril de 94. Eu tinha dezoito anos, era um garoto normal. Não usava drogas, não ouvia heavy metal, nunca joguei Dungeons and Dragons. Digo isso porque as pessoas sempre querem te fazer parecer algum tipo de maluco quando você vê algo assim. Não era. Eu estava só dirigindo minha caminhonete para casa pelo interior do Condado de Pierce. Era de manhã, umas 9h30. Plena luz do dia, sabe? Eu tinha saído perto de Buckley, nas colinas do Monte Rainier. Uma região linda, muita floresta, pouca gente. Eu estava naquele trecho de estrada, a mais ou menos um quilômetro e meio de qualquer lugar, e foi aí que minha caminhonete simplesmente morreu. O motor cortou, ficou tudo quieto. Tentei religar, girei a chave várias vezes, mas nada. A coisa nem tentava pegar.

Estava sentado lá tentando descobrir o que havia de errado, quando olhei para cima pelo para-brisa. Tinha algo parado na estrada, a uns nove metros à minha frente. E é sério, meu cérebro não conseguia processar o que estava vendo no primeiro momento. Tinha uns três metros de altura, facilmente. Coberto de pelo azulado, diferente de tudo que já vi em qualquer animal. O rosto era como o de um lobo, com esses olhos amarelos encarando direto para mim. Orelhas pontudas. E a boca, quando abriu a boca, estava cheia de dentes brancos e afiados. Os pés eram como os de um pássaro, com garras. Mas o que realmente me pegou, que ainda vejo quando fecho os olhos, eram as asas. Duas asas enormes, presas nos ombros, dobradas contra as costas. Eu não conseguia me mover. Não conseguia respirar. Só fiquei sentado na caminhonete encarando aquela coisa, e ela me encarou de volta. Não sei quanto tempo ficamos assim. Pareceu uma eternidade. Podia ter sido trinta segundos, podia ter sido cinco minutos. O tempo simplesmente parou.

Aí ela se moveu. Abriu aquelas asas, e juro a você que deviam ter de seis a nove metros de envergadura. E se lançou no ar com tanta força que minha caminhonete balançou. O veículo inteiro oscilou como se algo tivesse batido nele. Fiquei olhando ela voar acima das copas das árvores e desaparecer. No segundo em que ela foi embora, minha caminhonete ligou. Simples assim. Girei a chave e o motor pegou como se nada tivesse acontecido. Saí de lá o mais rápido que pude, fui direto para casa e disse ao meu pai para pegar uma arma e uma câmera. Voltamos para lá, minha mãe foi junto, e um vizinho também. Vasculhamos toda aquela área procurando rastros, penas, qualquer coisa. Não encontramos nada. Seja lá o que era, não deixou traço algum.

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