Boa noite. Estou ligando de um orelhão porque velhos hábitos não morrem fácil, mesmo vinte anos depois de deixar o programa. Meu nome é Dr. Chen. Sou físico de formação, educado em Berkeley nos anos 1970. Deveria ter ido para pesquisa em semicondutores, esse era o plano, mas a vida teve outras ideias. O que estou prestes a contar diz respeito a um programa militar chinês que funcionou por dezesseis anos, e sim, a CIA sabia disso o tempo todo. Existem arquivos desclassificados que você mesmo pode consultar. Eu estava lá. Preciso te contar sobre o Instituto 507. O Instituto de Engenharia Médica Espacial, se quiser o nome completo. IMES. Era a tentativa da China de militarizar a mente humana, e eu fiz parte da equipe de pesquisa de 1985 a 1989. O que fazíamos lá, o que afirmávamos documentar, parece ficção científica. Mas cada experimento que vou descrever foi conduzido em condições controladas com múltiplas testemunhas. O programa existiu. A pesquisa aconteceu. Se você acredita no que encontramos, isso é com você.
Deixa eu dar o contexto primeiro. Em 1979, a China ainda se recuperava da Revolução Cultural. O governo buscava qualquer vantagem, qualquer diferencial sobre o Ocidente. Foi então que uma história chegou aos jornais e mudou tudo. Um menino chamado Tang Yu na província de Sichuan teria a capacidade de ler caracteres chineses com as orelhas. Não com os olhos. Com as orelhas. Parece absurdo, certo? Era o que a maioria dos cientistas pensava. Mas um homem levou a sério. O Dr. Chen Weiming. Se você não conhece esse nome, deveria. Era o pai da rocketry da China, educado no MIT e Caltech, trabalhou com Theodore von Werner em propulsão a jato. O homem ajudou a projetar o programa espacial americano antes de ser deportado durante a histeria anticomunista em 1955. Quando voltou para a China, construiu todo o programa de mísseis do zero. Nos anos 1970, era o cientista mais respeitado do país. E Chen acreditava que os relatos de leitura auricular mereciam investigação. Ele chamou de 'Ciência Somática,' a ciência das capacidades ocultas do corpo humano. Convenceu a liderança militar de que se essas habilidades fossem reais, a China não podia se dar ao luxo de ignorá-las. E também não poderíamos deixar os soviéticos chegar lá primeiro. A KGB já rodava seus próprios programas, isso a gente sabia.
O Instituto 507 na verdade existia desde 1968. Foi originalmente criado pelo Departamento de Voo Espacial para fornecer suporte médico ao programa de astronautas da China. Mas quando os planos de voo espacial tripulado foram adiados no início dos anos setenta, a instalação na periferia de Pequim ficou lá com uma equipe completa de pesquisadores sem muito o que fazer. No final de 1981, Chen e o General Wang Zhihao, que era vice-presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional, reformularam toda a operação. Tinham dinheiro. Tinham apoio do Partido. E tinham algo que os americanos e soviéticos não tinham na mesma quantidade: cobaias. Veja bem, depois que Tang Yu virou manchete, centenas de crianças por toda a China começaram a reivindicar habilidades semelhantes. Ler com orelhas, com axilas, com as mãos. Algumas afirmavam que podiam ver através de paredes. Mover objetos com a mente. O fenômeno se espalhou como fogo em palha. Chamávamos de 'Febre do Qigong.' A maioria era fraude. Crianças que descobriram truques inteligentes. Mas não todas. Trouxemos mágicos profissionais, céticos, qualquer pessoa que pudesse detectar engano. E havia casos, um punhado de casos, em que não conseguíamos explicar o que estávamos vendo. Foi quando as coisas ficaram sérias.
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