Ei, oi. Obrigado por atender minha ligação. Ouvinte fiel, primeira vez que ligo. Não costumo contar essa história para as pessoas, mas decidi que já chega. Minha namorada me convenceu a finalmente falar. Foi em agosto de 2003. Estava num acampamento de mochileiros na Floresta Nacional do Panhandle de Idaho com dois amigos meus, Garrett e Pete. Uns quinze quilômetros da estrada mais próxima. Território isolado de verdade. Tínhamos passado o dia fazendo trilha, estávamos completamente destruídos. Armamos acampamento perto de um córrego, fizemos comida, ficamos acordados um tempo conversando, depois apagamos. Normal. Nada de incomum naquele dia.
Deve ser umas duas, três da manhã quando acordei. Chame da natureza. Abri o zíper da barraca e saí. E simplesmente congelei. Havia algo no céu, diretamente acima de mim. Era grande. Tipo muito grande. Comprimento de uns três campos de futebol, talvez mais. Formato alongado, como uma larva gigante ou uma lagarta, tipo esse negócio não tinha forma definida nos extremos, ia afunilando até o nada. A superfície era de um branco pálido e translúcido, tipo bioluminescente quase, porque emitia sua própria luz fraca. Dava pra ver algo se movendo dentro. Ondulações, como quando uma lagarta anda. Só que muito, muito devagar. Não fazia barulho nenhum. Completamente silencioso. O céu ao redor estava cheio de estrelas, por isso eu sabia que aquilo não era nuvem. Era sólido o suficiente para ter forma, mas translúcido o suficiente para eu ver o interior.
Não conseguia me mover. Fiquei ali de cueca encarando aquilo. Estava pulsando, tipo respirando pra dentro e pra fora, muito lentamente. Ficou ali por uns dez minutos, eu acho, talvez mais, difícil dizer. Depois foi se afastando, muito devagar, em direção ao norte. Não sumiu de repente, foi só... indo, gradualmente, até desaparecer além das árvores. Quando sumiu, foi aí que consegui me mover de novo. Entrei na barraca e acordei Garrett, tentei colocar pra fora o que eu tinha visto. Ele não ficou nem com medo, ficou mais tipo encantado. Todos os três ficamos acordados pelo resto da noite. De manhã, andamos até o córrego e olhamos o céu como se esperássemos que a coisa tivesse voltado. Garrett chama de uma larva celeste. Não sei o que era. Mas nunca olhei para o céu da mesma forma depois disso.
[ A história continua no jogo completo... ]