Encontro com a Lusca

Inspirado em diversas fontes, incluindo eventos documentados, relatos de encontros, anedotas pessoais e folclore. Alguns nomes, locais e detalhes de identificação foram ajustados para fins de privacidade e continuidade narrativa.

Boa noite. Sou pescador comercial aqui em Andros, faço isso a vida toda, aprendi com meu pai. Preciso te contar sobre algo que vi no mar. As pessoas aqui na ilha falam do Lusca há gerações, sabe o que quero dizer? Essa criatura que vive nos buracos azuis. A maioria acha que é só uma história pra manter as crianças longe de onde não devem nadar. Eu também pensava assim. Isso aconteceu em 2009. Me lembro porque foi o ano em que minha filha se formou no colégio, e eu andava pensando se a pesca ainda ia sustentar a família. Bom, isso não vem ao caso. O que importa é o que eu vi naquele dia lá além do recife.

Eu e meu primo Thomas estávamos pescando dorado. Mahi-mahi, como alguns chamam. Peixe lindo, briga muito. Estávamos com o barco umas três, quatro milhas da costa, em água funda. Tem que entender, eu conheço essas águas. Pesco aqui desde os doze anos. Sei onde ficam os buracos azuis, sei onde correm as correntes, sei o que é normal e o que não é. Era meio da manhã, o sol já estava alto. Mar calmo, uma ondinha leve. Condições perfeitas, na real. Já tínhamos pescado alguns menores, pensando pra onde ir em seguida. Foi quando Thomas avistou algo na superfície lá na frente. A princípio pensamos que podia ser um tubarão-baleia. A gente os vê às vezes por aqui, bichos grandes e mansos. Não incomodam ninguém.

Aí reduzimos a velocidade, porque você não quer bater num tubarão-baleia com a hélice. Conforme nos aproximamos, umas quinze braças de distância, dava pra ver que aquilo não se movia como tubarão-baleia. A forma estava errada. A cor estava errada. Era um marrom-acinzentado turvo, quase esverdeado em alguns lugares. E do jeito que estava na superfície, não parecia natural. Thomas disse: 'O que é isso?' E eu disse que não sabia. Fomos nos aproximando à deriva, deixando a corrente nos levar. O motor ainda estava no mínimo, só marulhando. E foi aí que eu vi a cabeça. Eu sei como isso soa. Sei exatamente como isso soa. Mas estou te dizendo o que eu vi. A cabeça era pontuda, como a de um tubarão-mako. Sabe aquele focinho afiado que eles têm? Era igualzinho. Escuro em cima, mais claro embaixo.

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