Oi. Tô ligando de Bishopville, e preciso te contar sobre algo que aconteceu comigo no verão de '88. Dia 29 de junho, pra ser exato. Eu tinha dezessete anos, trabalhava no turno da noite numa lanchonete, sabe. Eram umas duas da manhã, talvez uns quinze pra duas. Tava indo pra casa no meu Celica '76, pegando a Browntown Road como sempre fazia. Ela passa bem na beira do Scape Ore Swamp, um alagado com ciprestes e bambu por todo lado. Bem denso, bem escuro.
Tô dirigindo quando de repente escuto um estouro e o carro começa a puxar pra direita. Pneu furado. Que azar, né? Encosto na beira da estrada, bem na margem do brejo. Saio do carro e fico olhando pro pneu liso, e tá escuro pra caramba. Sem poste, sem lua naquela noite. Só escuridão e o barulho do brejo. Abro o porta-malas e pego o estepe. Tô trocando o pneu quando sinto aquela coisa. Você conhece aquela sensação de que alguém tá te observando? Era exatamente isso. Fiquei olhando por cima do ombro pras árvores, mas não conseguia ver nada. Só sombras.
Termino de colocar o estepe e levanto, limpando as mãos na calça. E foi aí que eu ouvi. Passos. Não caminhando, correndo. No asfalto. Chegando mais perto. Vindo da direção do brejo. Eu me viro e vejo uma forma saindo da escuridão. A princípio pensei que fosse uma pessoa, mas conforme foi chegando perto, dava pra ver que não era. Era alto demais, uns dois metros. E se movia de um jeito esquisito, meio curvado mas ainda de pé. Aí entrou no pouco de luz que vinha dos faróis do meu carro. Eu congelei. Não conseguia me mover. Aquela coisa tinha pele verde, úmida, coberta de escamas como réptil. Mas o que me arrasou foram os olhos. Eram vermelhos. Vermelho vivo, e me encarando direto. scaled skin with red eyes is specific - Henry'
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